O Que Permanece
Os Milagres Começam Quando Paramos de Olhar Para o Que Perdemos
1 / 15 Introdução
Alguns domingos seguem um roteiro cuidadosamente preparado. Outros seguem a direção inconfundível do Espírito Santo.
Este estudo bíblico nasceu de um desses momentos sagrados.
A congregação se reuniu esperando dar continuidade a uma série de mensagens. Em vez disso, o Espírito Santo redirecionou suavemente todo o culto. Antes que qualquer mensagem fosse pregada, o santuário se tornou um lugar de intercessão. Famílias estavam carregando fardos pesados. Um fiel servo de Deus estava em cirurgia de emergência. Outra família se preparava para o nascimento prematuro de seu filho. Um amado pastor que havia servido fielmente a igreja por décadas tinha entrado na eternidade poucas horas antes. Em vez de correr para a pregação, a igreja parou para orar, adorar, chorar junto e buscar a presença de Deus.
Para quem talvez não conheça uma igreja pentecostal, esse tipo de culto pode parecer incomum. Alguns podem se perguntar por que as pessoas oram juntas com tanta intensidade, por que as mãos se levantam em adoração, ou por que os crentes se reúnem ao redor de quem está sofrendo. Essas expressões não são simplesmente reações emocionais ou tradições religiosas. Elas estão enraizadas na convicção de que Jesus Cristo está vivo, de que o Espírito Santo continua agindo entre o seu povo, e de que Deus continua curando, consolando, restaurando e transformando vidas hoje.
Nós não nos reunimos apenas para aprender sobre Deus.
Nós nos reunimos esperando encontrá-lo.
Durante todo o culto, as pessoas ministraram umas às outras. A congregação orou pelos enfermos. Consolaram famílias enlutadas. Adoraram com gratidão apesar da tristeza. Em vez de permitir que a dor dominasse o ambiente, a fé começou a se levantar. A igreja se tornou exatamente o que Cristo pretendia que o seu corpo fosse: um lugar onde os fardos são compartilhados, a esperança é restaurada e a presença de Deus é bem-vinda.
Então algo extraordinário aconteceu.
Depois de quase uma hora de adoração, oração e ministração, o Pastor Robert Tisdale finalmente abriu as notas da mensagem que havia preparado semanas antes. A primeira frase que o aguardava na página dizia:
“Os milagres começam quando você para de se apegar ao que perdeu
e começa a usar o que ainda tem.”
Ninguém poderia ter orquestrado um momento assim.
Antes que aquela frase fosse dita, Deus já havia passado a manhã inteira ilustrando-a. Cada oração, cada abraço, cada ato de adoração, cada palavra de encorajamento e cada gesto de generosidade apontavam para uma única verdade central:
Deus raramente começa os seus milagres restaurando o que se perdeu. Na maioria das vezes, ele começa revelando o que ainda permanece.
Essa verdade forma o alicerce de todo este estudo.
2 / 15 ✎ Reflita
Pense em uma “interrupção” recente na sua própria vida, um atraso, uma decepção ou uma reviravolta inesperada. Onde Deus pode já estar preparando algo que você ainda não conseguia ver?
3 / 15 Antes De Começar Por Que Cremos Que Deus Ainda Realiza Milagres
Se você está lendo este estudo e nunca frequentou uma igreja pentecostal, talvez tenha perguntas sobre o que aconteceu naquele culto. Por que a congregação passou tanto tempo orando? Por que as pessoas se reuniam ao redor de quem estava sofrendo? Por que havia tanta confiança de que Deus poderia intervir?
A resposta é simples:
Porque cremos que o Deus da Bíblia não mudou.
Nossa fé não está construída sobre experiências emocionais ou tradições humanas. Ela está construída sobre o caráter imutável de Deus revelado nas Escrituras.
A Bíblia apresenta um Deus que está ativamente envolvido na vida do seu povo. De Gênesis a Apocalipse, ele ouve orações, cura doenças, liberta cativos, restaura corações partidos, provê para necessidades impossíveis, perdoa pecadores e realiza milagres que revelam a sua glória. Esses milagres nunca tiveram a intenção de entreter pessoas ou exaltar indivíduos. Eles revelavam a compaixão, a autoridade e o poder de Deus.
Quando Jesus Cristo veio ao mundo, ele revelou perfeitamente o coração do Pai. Por onde passava, ministrava a pessoas que estavam quebrantadas. Curou cegos, purificou leprosos, restaurou paralíticos, consolou famílias enlutadas, expulsou espíritos imundos, acalmou tempestades violentas, multiplicou alimento para os famintos e até ressuscitou mortos.
Esses milagres não foram eventos isolados pertencentes apenas ao passado.
Eles demonstraram como é o Reino de Deus sempre que a sua presença é bem-vinda.
Alguns cristãos sinceros creem que os dons milagrosos cessaram após a era apostólica. Respeitosamente, sustentamos uma convicção diferente, porque não encontramos nenhuma passagem nas Escrituras que declare que o poder de Deus terminou. Ao contrário, encontramos repetidamente o povo de Deus sendo encorajado a orar, crer e confiar nele.
Tiago escreveu:
“Entre vocês há alguém que está doente? Que ele mande chamar os presbíteros da igreja, para que estes orem sobre ele... A oração feita com fé curará o doente, e o Senhor o levantará...”
TIAGO 5:14–15 (NVI)
O autor de Hebreus nos lembra:
“Jesus Cristo é o mesmo, ontem, hoje e para sempre.”
HEBREUS 13:8 (NVI)
Porque Jesus não mudou, cremos que a sua compaixão não mudou. A sua autoridade não mudou. A sua misericórdia não mudou. O seu poder não mudou.
Isso não significa que toda oração seja respondida exatamente da forma que desejamos. As Escrituras nos ensinam que Deus é soberano. Às vezes ele cura instantaneamente. Às vezes ele cura gradualmente, por meio do tempo, da medicina ou da restauração. Às vezes ele escolhe sustentar os seus filhos com graça extraordinária enquanto realiza um propósito além da nossa compreensão. Fé não é crer que Deus sempre fará o que nós queremos.
Fé é confiar que Deus sempre fará o que é certo.
Essa distinção é essencial.
Quando os crentes pentecostais oram pela cura, não estamos tentando dar ordens a Deus. Estamos obedecendo ao seu convite para trazer diante dele cada necessidade. Oramos porque Jesus instruiu os seus seguidores a orar. Oramos porque a igreja primitiva orava. Oramos porque temos testemunhado a fidelidade de Deus repetidas vezes. Mais importante ainda, oramos porque sabemos que, quer Deus mude a circunstância, quer nos fortaleça dentro dela, a sua presença é suficiente. Naquela manhã de domingo, a congregação orou por famílias enfrentando cirurgias de emergência, câncer, nascimento prematuro, luto, dor emocional e sofrimento físico. Eles creram que Deus poderia intervir porque criam que ele estava presente. A confiança deles nunca esteve nas pessoas que oravam. A confiança deles estava somente em Jesus Cristo.
À medida que você avança neste estudo bíblico, lembre-se desta verdade importante: Nosso maior milagre não é que Deus sempre remova o nosso sofrimento.
Nosso maior milagre é que ele promete nunca nos deixar sozinhos nele.
E onde quer que Jesus esteja presente...
a esperança permanece.
o propósito permanece.
a cura permanece.
os milagres permanecem.
✎ REFLITA Você acredita que Deus ainda realiza milagres hoje? Escreva com honestidade sobre onde a sua fé se sente forte e onde ela ainda parece incerta.
4 / 15 Capítulo Deus Frequentemente Fala Antes De Entendermos O Porquê
Um dos maiores consolos que um crente pode descobrir é que Deus nunca é surpreendido. Muito antes de reconhecermos um problema, ele já preparou a resposta. Antes que nossas orações sejam pronunciadas, ele já as ouviu. Antes que nossas lágrimas comecem a cair, ele já as guardou em seu odre (Salmos 56:8). O que nos parece uma crise inesperada nunca pegou o céu de surpresa. Essa verdade foi lindamente ilustrada durante o culto que inspirou esta lição. Enquanto o Pastor Robert Tisdale se preparava para continuar sua série de mensagens, a direção da manhã mudou completamente. Notícias de perda, doença e necessidades urgentes de oração transformaram o ambiente. A congregação passou quase uma hora orando, adorando, consolando uns aos outros e buscando a Deus antes mesmo que a pregação começasse. Somente depois o Pastor Tisdale abriu a mensagem que havia preparado semanas antes e descobriu que a primeira frase resumia perfeitamente tudo o que o Espírito Santo já vinha falando durante todo o culto: “Os milagres começam quando você para de se apegar ao que perdeu e começa a usar o que ainda tem.” O que parecia ter sido uma interrupção era, na verdade, uma confirmação. Deus já havia escrito a resposta antes mesmo de a igreja viver aquele momento.
Esse é o belo padrão das Escrituras. Deus raramente se explica antes de pedir ao seu povo que confie nele. Na maioria das vezes, ele prepara silenciosamente a provisão muito antes de alguém perceber que ela será necessária. A sua soberania está constantemente trabalhando nos bastidores, organizando circunstâncias que só se tornam claras quando olhamos para trás através das lentes da fé. Abraão viveu isso no Monte Moriá. Deus ordenou que ele oferecesse Isaque, o filho por meio de quem todas as promessas de Deus se cumpririam. O raciocínio humano não conseguia conciliar a promessa de Deus com a ordem de Deus. Cada passo montanha acima deve ter levantado perguntas dolorosas. No entanto, enquanto Abraão subia um lado do monte carregando a lenha para o sacrifício, Deus já havia providenciado um carneiro subindo do outro lado. Abraão só viu a provisão de Deus no momento exato em que precisou dela, mas a provisão já estava lá o tempo todo. O milagre não começou quando o carneiro apareceu. Ele começou quando Deus preparou o carneiro antes mesmo de Abraão chegar ao altar (Gênesis 22:13-14).
A vida de José conta a mesma história. Aos dezessete anos, ele recebeu sonhos de Deus, mas quase imediatamente sua vida pareceu desmoronar. Seus irmãos o traíram, a escravidão tirou sua liberdade, acusações falsas roubaram sua reputação, e a prisão consumiu anos de sua vida. Do ponto de vista de José, cada promessa parecia se afastar cada vez mais. No entanto, enquanto José permanecia esquecido na prisão, Deus organizava silenciosamente os acontecimentos políticos dentro do palácio de Faraó. A fome estava chegando. O Egito precisaria de um administrador sábio. O copeiro acabaria se lembrando de José. Cada peça já estava se encaixando enquanto José não conseguia ver nada disso. O que José chamava de demora, Deus chamava de preparação.
Moisés também descobriu que a preparação de Deus muitas vezes vem disfarçada de vida comum. Depois de fugir do Egito, ele passou quarenta anos cuidando de ovelhas no deserto. Para muitos, essas décadas pareciam desperdiçadas. O próprio Moisés talvez acreditasse que suas maiores oportunidades já haviam passado. No entanto, cada dia solitário no deserto o preparava exatamente para o lugar onde
Deus mais tarde o chamaria para liderar Israel. O deserto se tornou sua sala de aula. As ovelhas se tornaram sua congregação de treinamento. Até o cajado que ele carregava todos os dias mais tarde se tornaria um dos instrumentos mais reconhecíveis do poder milagroso de Deus. Deus estava preparando o seu servo muito antes de chamá-lo publicamente.
Talvez em nenhum outro lugar esse princípio seja revelado de forma mais linda do que na vida de Jesus Cristo. As Escrituras declaram que Cristo foi “o Cordeiro que foi morto desde a criação do mundo” (Apocalipse 13:8). Antes de Adão pecar, Deus já havia preparado a redenção. Antes da queda da humanidade, a cruz já estava no coração de Deus. Antes que a humanidade reconhecesse a sua necessidade de um Salvador, o céu já havia planejado a salvação. Essa é a natureza do nosso Deus. Ele nunca reage à história. Ele a dirige.
Essa verdade muda a forma como enxergamos a nossa própria vida. Com muita frequência interpretamos perguntas sem resposta como evidência de que Deus está ausente. Presumimos que o silêncio significa inatividade. Confundimos demora com abandono. No entanto, a Bíblia ensina repetidamente o oposto. O silêncio de Deus não significa que ele parou de trabalhar. Frequentemente, significa que ele está trabalhando em lugares que ainda não conseguimos ver. Enquanto nos concentramos na incerteza de hoje, ele já está organizando a provisão de amanhã.
Essa perspectiva também transforma a maneira como entendemos os milagres. Costumamos imaginar que os milagres começam no momento em que Deus intervém visivelmente. As Escrituras ensinam o contrário. A maioria dos milagres começa muito antes de alguém percebê-los. O milagre de Noé começou antes da chuva. O milagre de Davi começou enquanto ele ainda cuidava de ovelhas. O milagre de Ester começou antes de ela se tornar rainha. A própria ressurreição começou antes de a pedra ser removida. A intervenção visível de Deus é, muitas vezes, apenas o capítulo final de uma história que ele vem escrevendo há muito tempo.
À medida que avançamos neste estudo, lembre-se desta verdade fundamental: nossa confiança não está em nossa capacidade de entender o plano de Deus. Ela está na capacidade de Deus de cumprir o seu plano. Mesmo quando a vida parece incerta, o céu nunca improvisa. Nosso Pai já está trabalhando, preparando graça antes da provação, força antes da batalha e esperança antes do sofrimento. É por isso que os crentes podem adorar antes de receber a resposta. Oramos antes que as circunstâncias mudem. Louvamos antes que o milagre chegue. Confiamos antes de entender. Sabemos que, se Deus já foi adiante de nós, como as Escrituras repetidamente prometem, então tudo o que nos espera amanhã já passou por suas mãos amorosas. Essa confiança não elimina o sofrimento, mas nos dá paz no meio dele. Ela nos lembra que, embora ainda não entendamos o que Deus está fazendo, podemos ter certeza de que ele já está fazendo algo.
✎ REFLITA Que situação na sua vida agora parece estar acontecendo tarde demais? Peça a Deus que lhe mostre evidências de que ele já vem preparando a sua resposta.
5 / 15 Capítulo O Luto Quer Seus Olhos No Que Se Perdeu, Mas Deus Aponta Para O Que Permanece
O luto é uma das emoções mais poderosas que um ser humano pode experimentar. Ele tem a capacidade de consumir nossos pensamentos, turvar nossa visão e remodelar silenciosamente a forma como enxergamos a nós mesmos e a Deus. Embora frequentemente associemos o luto à morte de um ente querido, as Escrituras pintam um quadro muito mais amplo. Choramos relacionamentos partidos, sonhos despedaçados, oportunidades perdidas, saúde em declínio, dificuldades financeiras, traição, decepção e temporadas de vida que jamais voltarão. De uma forma ou de outra, toda pessoa carrega o peso de algo que gostaria que tivesse acontecido de maneira diferente.
O inimigo entende o poder do luto. Enquanto Deus deseja curar nossos corações, Satanás deseja aprisioná-los. Uma de suas maiores estratégias é nos convencer de que nosso futuro está para sempre definido pelo que perdemos. Se ele conseguir manter nossa atenção fixa no ontem, teremos dificuldade em reconhecer o que Deus está fazendo hoje. Nos tornamos especialistas em contar o que está faltando enquanto ignoramos as inúmeras evidências da fidelidade de Deus que ainda nos cercam. É por isso que a declaração do Pastor Robert Tisdale é tão profunda:
“Os milagres começam quando você para de se apegar ao que perdeu e começa a usar o que ainda tem.” Observe o que ele não disse. Ele não sugeriu fingir que a perda nunca aconteceu. Ele não incentivou as pessoas a ignorar sua dor ou reprimir suas emoções. A fé bíblica nunca é construída sobre a negação. Ao longo das Escrituras, o povo de Deus chorou abertamente. Abraão chorou por Sara. Davi chorou por Jônatas. Jeremias ficou conhecido como o profeta chorão. Até Jesus ficou diante do túmulo de Lázaro e chorou, mesmo sabendo que a ressurreição estava a apenas momentos de distância (João 11:35). O luto em si não é evidência de fé fraca. Em muitos casos, é evidência de que amamos profundamente. O problema começa quando o luto deixa de ser algo pelo qual passamos e se torna o lugar onde escolhemos morar. Deus nunca teve a intenção de que a tristeza se tornasse nossa moradia permanente. O salmista declarou: “O choro pode durar uma noite, mas a alegria vem pela manhã” (Salmos 30:5). Observe que o choro recebe uma estação, não um destino. A manhã chega porque a misericórdia de Deus está continuamente movendo os seus filhos em direção à esperança.
Uma das mentiras mais sutis do inimigo é nos convencer de que, porque algo precioso se perdeu, nada significativo pode voltar a acontecer. No entanto, quase toda grande história bíblica demonstra o contrário. As maiores obras de Deus frequentemente começam depois do que parece ser uma perda devastadora.
Noemi perdeu o marido. Enterrou os dois filhos. Voltou a Belém tão dominada pela tristeza que pediu às pessoas que parassem de chamá-la de Noemi, que significa “doce”, e passassem a chamá-la de Mara, que significa “amarga” (Rute 1:20). Da sua perspectiva, a história dela havia terminado. Ela acreditava que Deus tinha esvaziado a sua vida. No entanto, enquanto Noemi se concentrava no que lhe fora tirado, Deus escrevia silenciosamente uma das maiores histórias de redenção do Antigo Testamento. Rute conheceria Boaz, uma família seria restaurada e, gerações mais tarde, o próprio Messias viria por meio dessa linhagem. Noemi só conseguia ver as mãos vazias. Deus já podia ver o berço que um dia acolheria
Obede.
Os discípulos viveram essa mesma luta depois da crucificação. Tudo aquilo em torno do que haviam construído a vida parecia ter desmoronado em um único fim de semana. Aquele que acreditavam ser o Messias havia sido preso, espancado, crucificado e sepultado. O medo substituiu a confiança. A esperança deu lugar à confusão. Eles se trancaram atrás de portas fechadas, convencidos de que a história havia terminado. No entanto, enquanto choravam o que haviam perdido, Jesus preparava a maior vitória da história da humanidade. A ressurreição não apagou a dor da sexta-feira, mas transformou completamente o seu significado.
Quantas vezes nos parecemos com aqueles discípulos? Ficamos diante de túmulos selados acreditando que Deus terminou de escrever nossa história, enquanto o céu apenas espera pela manhã de domingo. Talvez uma das maiores lições que precisamos aprender seja que Deus nunca nos pede que comecemos pelo que já não possuímos. Ele sempre começa pelo que permanece. Quando Moisés estava diante da sarça ardente, Deus não perguntou o que Faraó havia tirado dele. Ele perguntou: “O que é isso que você tem na mão?” (Êxodo 4:2). Moisés viu um simples cajado de pastor. Deus viu o instrumento que dividiria o Mar Vermelho, traria água de uma rocha e se tornaria um símbolo da sua autoridade. O milagre não começou com algo que faltava a Moisés. Começou com algo que ele já possuía, mas havia subestimado. O mesmo princípio aparece ao longo do ministério de Jesus. Antes de alimentar a multidão, Jesus perguntou: “Quantos pães vocês têm?” (Marcos 6:38). Antes de curar o cego, Jesus perguntou o que ele desejava. Antes de chamar Lázaro do túmulo, Jesus instruiu as pessoas a remover a pedra. Repetidas vezes, Deus convidou a participação humana antes de manifestar o poder divino. Ele não precisava do que eles tinham; ele queria que confiassem nele com aquilo.
Isso nos desafia a fazer uma pergunta honesta: o que ainda estamos segurando que Deus deseja usar? Talvez não seja muito, aos olhos humanos. Pode ser simplesmente um coração disposto, um testemunho, uma oração, uma palavra de encorajamento, uma oferta financeira ou um gesto de bondade para com alguém que carrega o próprio fardo. No entanto, ao longo das Escrituras, Deus sempre se agradou em multiplicar coisas entregues. Cinco pães se tornaram um banquete. Um vidro de azeite pagou dívidas impossíveis. A funda de um pastor derrotou um gigante. As duas moedinhas de uma viúva se tornaram uma lição eterna sobre generosidade.
Nossa tendência é avaliar o que resta de acordo com o seu tamanho.
Deus o avalia de acordo com a nossa disposição de colocá-lo em suas
mãos.
Essa verdade começa a mudar a forma como oramos. Em vez de perguntar apenas: “Senhor, por que isso aconteceu?”, começamos a perguntar: “Senhor, o que ainda podes fazer com o que restou?” Essa
pergunta desloca nosso foco do desespero para a expectativa. Ela não minimiza nossa dor; ela amplia as possibilidades de Deus.
Como crentes, não negamos a perda. Simplesmente nos recusamos a deixar que a perda tenha a última palavra. Nossa confiança está no Deus que se especializa em trazer beleza das cinzas, alegria do pranto, força da fraqueza e ressurreição de lugares que parecem sem esperança. Se ele pôde trazer vida de um túmulo vazio, certamente pode trazer propósito daquilo que ainda resta em nossas vidas hoje. O milagre frequentemente começa no momento em que paramos de contar o que desapareceu e começamos a colocar o que resta nas mãos de Jesus. Ali, coisas comuns se tornam extraordinárias, corações partidos começam a se curar, e a esperança silenciosamente ressurge.
6 / 15 ✎ Reflita
O que você perdeu e continua revisitando em seus pensamentos? Agora pergunte: o que Deus deixou em suas mãos que você tem ignorado?
7 / 15 Capítulo a Cura Começa Quando Damos Através Da Nossa Dor
Um dos momentos mais profundos do culto não veio das notas preparadas pelo Pastor Robert Tisdale. Em vez disso, veio durante um testemunho profundamente pessoal. Ao refletir sobre a partida do Bispo James Wolfe, a enfermidade do Irmão Vernon Butler, as famílias enlutadas presentes e o ambiente avassalador que preenchia o santuário, o Pastor Tisdale compartilhou algo que o Senhor havia colocado em seu coração durante a adoração. Não foi uma revelação longa, nem uma declaração teológica complicada. Foi notavelmente simples:
“Dê o seu caminho através da dor.”
Essas poucas palavras capturam um princípio que pode ser rastreado de Gênesis a Apocalipse. Elas nos lembram que, embora o luto seja parte natural da vida, Deus nunca teve a intenção de que ele se tornasse o lugar onde os seus filhos permanecem. Ele nos convida a atravessar o luto, não a construir uma casa dentro dele. O caminho que ele frequentemente oferece é inesperado. Em vez de nos pedir para nos retirarmos, ele nos chama a continuar dando. Continuar amando. Continuar servindo. Continuar orando. Continuar adorando. Continuar investindo na vida de outras pessoas.
Isso pode parecer contrário à natureza humana. Quando as pessoas estão sofrendo, o instinto costuma ser recuar. A dor naturalmente volta nossa atenção para dentro. Revivemos conversas dolorosas, revisitamos memórias difíceis e fazemos perguntas que parecem não ter resposta. Ficamos tão concentrados em nossas próprias feridas que se torna difícil enxergar as necessidades ao nosso redor. Embora temporadas de silêncio e luto sejam saudáveis e bíblicas, o isolamento nunca foi o projeto de Deus para a cura. O inimigo se alegra quando o luto se torna autocontido, porque o isolamento frequentemente produz desânimo, medo e desesperança.
O Reino de Deus funciona de forma diferente. Ao longo das Escrituras, Deus demonstra repetidamente que a cura frequentemente começa quando o seu povo permite que o seu amor continue fluindo através dele, mesmo enquanto ele próprio está sofrendo. Isso não significa que ignoramos nossa dor ou fingimos que está tudo bem. Ao contrário, significa que nos recusamos a deixar que a dor nos impeça de refletir o caráter de Cristo.
Um dos exemplos mais claros dessa verdade está na vida de Jó. Poucas pessoas já sofreram tão profundamente quanto Jó. Em um curto período de tempo, ele perdeu os filhos, os bens, a saúde e boa parte de sua reputação. Seus amigos o compreenderam mal, e por muitos capítulos do livro ele lutou honestamente com perguntas que todo crente que sofre acaba fazendo. No entanto, o ponto de virada da história é fascinante.
As Escrituras declaram:
“Depois que Jó orou por seus amigos, o Senhor o tornou novamente próspero...”
8 / 15 Jó 42:10 (nvi)
Observe o que o versículo não diz. Ele não diz que Deus restaurou Jó quando ele finalmente entendeu tudo o que havia acontecido. Não diz que a restauração começou depois que todas as suas perguntas foram respondidas. Apenas diz que, quando Jó começou a orar pelos outros, Deus começou a restaurá-lo.
Isso não significa que Jó tenha merecido o seu milagre por orar. Salvação, cura e restauração são sempre atos da graça de Deus. No entanto, isso revela algo lindo sobre o coração humano. Quando o luto deixa de ter o controle total da nossa atenção, começamos a enxergar as pessoas novamente. Começamos a amar novamente. Começamos a orar novamente. Começamos a participar da obra de Deus novamente. De muitas formas, essa é uma das primeiras evidências de que a cura já começou. Um dos primeiros sinais de cura não é que a dor desapareça. É que o
amor volta a fluir através de você.
Talvez ninguém tenha demonstrado esse princípio de forma mais perfeita do que o próprio Jesus. Enquanto pendia na cruz, suportando o maior sofrimento que o mundo já conheceu, sua atenção permaneceu fixa nos outros. Ele orou por aqueles que o crucificaram, pedindo ao Pai que os perdoasse. Ele parou para cuidar de sua mãe, entregando-a aos cuidados de João. Ofereceu esperança ao ladrão arrependido ao seu lado. Mesmo em seu maior momento de sofrimento, Jesus continuou dando. Isso revela algo notável sobre o coração de Deus. O amor nunca depende de circunstâncias favoráveis. O amor divino continua fluindo mesmo quando a vida está inimaginavelmente difícil. A cruz nos ensina que o sofrimento e a generosidade não são opostos. No Reino de Deus, eles muitas vezes caminham juntos.
O mesmo espírito ficou evidente durante todo o culto que inspirou esta lição. Em vez de permitir que o luto consumisse a congregação, a igreja se tornou um lugar de ministração. Famílias se reuniram ao redor de quem estava sofrendo. Os crentes oraram pelos enfermos. Palavras de encorajamento foram ditas. Uma oferta foi recolhida: não porque não houvesse necessidades dentro da igreja, mas porque o Pastor Robert Tisdale sentiu o Senhor guiando a congregação a abençoar outras pessoas mesmo enquanto eles próprios estavam de luto. Missionários foram sustentados. Servos fiéis foram honrados. A compaixão continuou fluindo.
Esse é um belo retrato da Igreja.
A Igreja nunca está no seu melhor quando todos estão livres de problemas.
A Igreja está no seu melhor quando pessoas quebrantadas permitem que Deus ame outras pessoas quebrantadas através delas.
Foi exatamente isso que Paulo tinha em mente quando escreveu:
“Levem os fardos pesados uns dos outros e, assim, cumpram a lei de Cristo.”
GÁLATAS 6:2 (NVI)
Carregar fardos exige mais do que compaixão. Exige presença. Às vezes, o maior ministério que podemos oferecer é simplesmente estar presente. Um telefonema. Uma visita. Uma refeição. Uma oração. Uma palavra de encorajamento. Um presente generoso. Nenhuma dessas ações apaga a dor de outra pessoa, mas cada uma delas se torna um lembrete tangível de que ela não está caminhando pelo vale sozinha.
Ao refletirmos sobre nossa própria vida, talvez a pergunta não seja simplesmente: “Senhor, quando vais me curar?” Talvez outra pergunta seja igualmente importante:
“Senhor, a quem posso encorajar enquanto tu me curas?”
Muitas vezes, essas duas jornadas acontecem ao mesmo tempo.
E em algum ponto do caminho, quase sem perceber, descobrimos que Deus estava curando o nosso coração enquanto ajudávamos outra pessoa.
9 / 15 ✎ Reflita
Quem ao seu redor está sofrendo agora? Escreva uma forma específica pela qual você pode dar o seu caminho através da própria dor esta semana, abençoando outra pessoa.
10 / 15 Capítulo José Deu Nome À Sua Cura Antes De Viver a Sua Restauração
Quando a maioria das pessoas pensa em José, lembra-se imediatamente dos momentos dramáticos de sua vida. Lembram-se da bela túnica que o pai lhe deu, do ciúme dos irmãos, da cisterna, dos mercadores de escravos, da casa de Potifar, da prisão e, por fim, do palácio de Faraó. Esses momentos certamente definem a trama, mas não são o maior milagre na vida de José. O maior milagre não foi ele se tornar governador do Egito. O maior milagre foi Deus transformar um jovem ferido em um servo maduro que não deixava mais que o seu passado ditasse o seu futuro.
O sofrimento de José começou em uma idade em que a maioria dos jovens está apenas começando a descobrir quem é. Com apenas dezessete anos, ele viveu a traição das próprias pessoas que deveriam protegê-lo. Seus irmãos rasgaram a túnica que representava o amor do pai, jogaram-no em uma cisterna e o venderam como escravo. Em um único dia, José perdeu a família, o lar, a liberdade e todo o senso de segurança que já havia conhecido. Mas a dor não parou ali. Depois de servir fielmente na casa de Potifar, ele foi falsamente acusado de um crime que nunca cometeu e ficou preso por anos. De uma perspectiva humana, cada capítulo da história de José parecia se afastar cada vez mais dos sonhos que Deus lhe havia dado quando jovem.
Quantos crentes já se perguntaram a mesma coisa que José certamente se perguntou? “Senhor, se me deste esta promessa, por que a minha vida parece caminhar na direção oposta?” É frequentemente durante essas temporadas que a fé é mais severamente testada. Naturalmente presumimos que o silêncio de Deus significa a ausência de Deus. Confundimos demora com abandono, e perguntas sem resposta com orações sem resposta. No entanto, a vida de José nos ensina que Deus muitas vezes realiza a sua obra mais profunda enquanto a sua voz parece silenciosa. Embora José não conseguisse ver, cada temporada difícil o preparava para uma missão muito maior do que ele poderia imaginar. A prisão não era evidência de que Deus o havia esquecido; era parte do processo que Deus usava para prepará-lo.
Há um princípio importante aqui que todo seguidor de Cristo precisa aprender. Deus geralmente está mais preocupado em preparar a pessoa do que em preparar a posição. Frequentemente pedimos a Deus que mude nossas circunstâncias, enquanto ele transforma pacientemente o nosso caráter. Antes que José pudesse governar uma nação, ele precisou aprender humildade, fidelidade, paciência, perdão e completa dependência de Deus. Se a promoção tivesse vindo antes da preparação, o peso da influência talvez tivesse destruído o homem que Deus pretendia usar.
Anos depois, quando José já havia sido elevado ao poder e estabelecido uma nova vida no Egito, algo aparentemente comum aconteceu, revelando uma obra extraordinária de Deus. José se tornou pai. Como todo pai hebreu, ele escolheu cuidadosamente os nomes de seus filhos, pois os nomes carregavam significado espiritual. Nas Escrituras, os nomes frequentemente refletiam o que Deus estava fazendo na vida de uma pessoa. Os dois filhos de José se tornaram testemunhas vivas da cura que Deus havia realizado em seu próprio coração.
O primeiro filho foi chamado Manassés. A Bíblia explica a razão de José dizendo: “Porque Deus... me fez esquecer todo o meu sofrimento e toda a casa de meu pai” (Gênesis 41:51). À primeira vista, essas palavras quase parecem impossíveis. Como José poderia esquecer a cisterna? Como poderia esquecer a
escravidão? Como alguém poderia apagar memórias tão profundamente gravadas na alma? A resposta é que José não estava falando sobre memória; ele estava falando sobre domínio. José se lembrava de cada acontecimento. De fato, quando seus irmãos finalmente estiveram diante dele no Egito, ele os reconheceu imediatamente. Lembrava-se dos rostos deles. Lembrava-se das vozes deles. Lembrava-se exatamente do que haviam feito. O milagre não foi que as memórias desaparecessem. O milagre foi que essas memórias não o controlavam mais. Deus havia curado a ferida tão completamente que José podia se lembrar do acontecido sem ser aprisionado por ele. Esse é um dos aspectos mais mal compreendidos da cura bíblica. Muitas pessoas oram para que Deus apague memórias dolorosas, mas Deus frequentemente realiza um milagre ainda maior. Em vez de remover a memória, ele remove o seu poder. O acontecimento continua sendo parte do nosso testemunho, mas deixa de governar nossas emoções, nossas decisões ou nossa identidade. Podemos falar sobre o que aconteceu sem reabrir a ferida, porque o Grande Médico curou o que antes parecia impossível de curar.
Observe com atenção o que José diz. Ele não diz: “O tempo me fez esquecer.” Ele diz: “Deus me fez esquecer.” O tempo, por si só, cura muito pouco. Pessoas podem carregar amargura por décadas. Outras vivem com culpa, vergonha ou ressentimento por toda a vida. O tempo apenas nos ensina a esconder a dor com mais eficiência. Somente a graça de Deus tem o poder de transformar um coração ferido em um coração curado.
O segundo filho de José recebeu o nome de Efraim, e mais uma vez José explicou o seu significado dizendo: “Porque Deus me fez prosperar na terra do meu sofrimento” (Gênesis 41:52). Essas palavras podem ser ainda mais notáveis do que as primeiras. José não disse que Deus o removeu da terra do sofrimento. O Egito continuava sendo o Egito. Continuava sendo o lugar onde ele havia sido vendido como escravo. Continuava sendo o lugar onde havia sido falsamente acusado. Continuava sendo o lugar onde havia passado anos em uma prisão. A geografia não havia mudado. O que havia mudado era o próprio José.
Quantas vezes adiamos a nossa alegria até que as circunstâncias melhorem? Silenciosamente nos convencemos de que a paz virá depois que a vida ficar mais fácil, de que confiaremos plenamente em Deus assim que o problema for resolvido, ou de que a frutificação pertence a outra estação. José nos ensina algo totalmente diferente. A bênção de Deus não está limitada pelo que nos cerca. Ele é plenamente capaz de produzir fruto espiritual exatamente no lugar onde vivemos a nossa dor mais profunda. O Deus que fez as flores desabrocharem no deserto ainda é capaz de trazer vida a lugares que supúnhamos que permaneceriam sempre estéreis.
Esse padrão aparece ao longo de toda a Escritura. Rute encontrou a redenção durante uma fome. Daniel encontrou favor enquanto vivia como exilado na Babilônia. Paulo escreveu cartas que continuam transformando o mundo enquanto estava sentado em uma prisão romana. Até o nosso Senhor Jesus realizou a maior vitória da história por meio daquele que parecia ser o dia mais sombrio imaginável.
Repetidas vezes, Deus prova que não se intimida com lugares de aflição. Na verdade, algumas de suas maiores obras são realizadas ali.
O verdadeiro clímax da história de José não aconteceu quando Faraó colocou um anel em seu dedo. Aconteceu anos depois, quando José ficou frente a frente com os irmãos que o haviam traído. Naquele momento, ele tinha autoridade para prendê-los, puni-los ou até executá-los. A justiça humana entenderia tal resposta. No entanto, José escolheu um caminho completamente diferente. Ele chorou. Aquelas lágrimas não eram sinal de fraqueza. Eram evidência de cura. Um coração ainda dominado pela dor busca vingança. Um coração transformado pela graça de Deus busca restauração.
Quando José finalmente revelou a sua identidade, fez uma das declarações mais profundas de toda a Escritura: “Vocês planejaram o mal contra mim, mas Deus o tornou em bem” (Gênesis 50:20). José não desculpou o pecado de seus irmãos. Reconheceu que o que haviam feito era maldade. Mas se recusou a permitir que as ações deles definissem o restante de sua vida. A traição deles se tornou o pano de fundo diante do qual a fidelidade de Deus foi exibida.
Não que ele se tornou governador do Egito, mas que ele se tornou
livre.
E talvez esse seja o milagre que Deus deseja realizar em cada um de nós. Muito antes de mudar o que está acontecendo ao nosso redor, ele quer transformar o que está acontecendo dentro de nós. Porque, quando o coração é curado pela graça de Deus, finalmente podemos declarar com José: “Deus me fez prosperar na terra do meu sofrimento.” Essa confissão não é apenas o testemunho de um homem no Egito: é o testemunho que Deus deseja escrever em todo crente que escolhe confiar nele em cada estação da vida.
✎ REFLITA Existe alguma memória dolorosa que ainda tem poder sobre suas emoções ou decisões? Peça a Deus que faça o que só ele pode fazer: curar a memória sem apagar o testemunho.
11 / 15 Capítulo Deus Nunca Começa Pelo Que Você Perdeu
Se há um padrão que se torna inconfundível ao longo das Escrituras, é este: Deus quase nunca começa os seus milagres substituindo o que se perdeu. Ele começa pedindo o que resta. Esse princípio aparece de forma tão consistente na Bíblia que não pode ser descartado como coincidência. Ele revela algo sobre o próprio caráter de Deus. Enquanto naturalmente focamos em nossas deficiências, Deus constantemente observa os recursos que ainda estão em nossas mãos. O céu nunca se intimida com o que falta, porque Deus nunca dependeu da abundância humana para realizar propósitos divinos. Essa verdade desafia a forma como pensamos naturalmente. Quando a vida desmorona, nossa atenção se volta imediatamente para o que já não está mais lá. Pensamos nas oportunidades que desapareceram, nos relacionamentos que terminaram, nas finanças que se perderam, na saúde que declinou, ou nos sonhos que agora parecem impossíveis. Medimos nosso futuro pelo que nos foi tirado. Deus, porém, mede o nosso futuro pelo que estamos dispostos a entregar em suas mãos. A diferença entre essas duas perspectivas é, muitas vezes, a diferença entre o desespero e a fé. Talvez nenhuma história ilustre isso com mais clareza do que a conversa de Deus com Moisés na sarça ardente. Moisés já havia passado quarenta anos acreditando que sua maior oportunidade tinha ficado no passado. O príncipe do Egito se tornara nada mais do que um pastor no deserto. Sua educação, influência e posição no palácio de Faraó haviam se perdido. Da perspectiva de Moisés, tudo o que era valioso pertencia ao passado. No entanto, quando Deus o chamou para libertar Israel, ele não perguntou sobre a antiga posição de Moisés no Egito. Não perguntou sobre a educação que havia recebido nem sobre a influência que já havia possuído. Em vez disso, Deus fez uma pergunta notavelmente simples: “Que é isso em sua mão?”
ÊXODO 4:2 (NVI)
Para Moisés, era apenas um cajado de pastor, uma ferramenta tão comum que mal merecia menção. Ele o carregava todos os dias sem lhe dar muita atenção. No entanto, o Senhor viu algo completamente diferente. Nas mãos de Deus, aquele cajado comum confrontaria Faraó, dividiria o Mar Vermelho, traria água de uma rocha e se tornaria um lembrete visível de que a autoridade divina muitas vezes repousa sobre a obediência comum. O milagre não começou quando Moisés recebeu algo novo. Começou quando ele entregou o que já tinha.
O mesmo padrão aparece no ministério de Eliseu. Uma viúva se aproximou do profeta carregando um fardo que parecia impossível de resolver. Seu marido havia morrido, os credores vinham tomar seus filhos como pagamento, e ela não possuía quase nada. Humanamente falando, sua história parecia sem esperança. No entanto, a primeira resposta de Eliseu é surpreendente e profundamente reveladora. Ele perguntou: “O que você tem em casa?” (2 Reis 4:2). A viúva respondeu quase se desculpando, dizendo que não tinha nada além de um pouco de azeite. Para ela, era insignificante. Para Deus, era suficiente. Quantas vezes respondemos a Deus da mesma forma? Dizemos: “Senhor, eu não tenho nada.” Mas, se formos sinceros, geralmente há uma frase que vem em seguida. “...exceto isto.” Exceto esta pequena habilidade. Exceto esta pequena oportunidade. Exceto este testemunho. Exceto este relacionamento.
Exceto este dom. Exceto este recurso. Descartamos o que resta porque parece pequeno demais para importar. Deus nunca faz isso. Ele se agrada em usar o que temos ignorado, porque isso não deixa dúvida sobre a quem pertence a glória.
O milagre da viúva não aconteceu porque o azeite possuía qualidades incomuns. Aconteceu porque ela confiou na instrução de Deus com o que já possuía. Enquanto houvesse vasilhas vazias disponíveis, o azeite continuava a fluir. A limitação nunca foi a provisão de Deus; foi a disponibilidade de vasilhas vazias prontas para receber o que ele desejava dar. Essa verdade continua tão relevante hoje quanto era então. Deus não está buscando pessoas que acreditam ter tudo. Ele está buscando corações dispostos a oferecer-lhe o que resta, confiando que ele é capaz de multiplicar o que parece insignificante. Jesus demonstrou esse mesmo princípio quando milhares de pessoas famintas se reuniram para ouvi-lo ensinar. Os discípulos viram imediatamente a impossibilidade da situação. Calcularam o custo. Consideraram a distância até as vilas próximas. Cada solução que propunham se concentrava no que faltava. Não havia dinheiro suficiente, não havia comida suficiente, não havia tempo suficiente. Jesus, porém, fez uma pergunta completamente diferente: “Quantos pães vocês têm?” (Marcos 6:38). Mais uma vez, a atenção do céu não estava na deficiência, mas no que restava.
Cinco pães e dois peixes jamais poderiam satisfazer uma multidão de milhares. Todos sabiam disso. No entanto, o milagre nunca dependeu do tamanho da oferta. Dependeu inteiramente de em que mãos a oferta era colocada. No momento em que aquele pequeno lanche foi colocado nas mãos de Jesus, suas limitações deixaram de importar. O mesmo pão que parecia insuficiente nas mãos de um menino se tornou mais do que suficiente quando abençoado pelo Senhor.
Essa verdade vai além do milagre da multiplicação dos pães. Ela fala diretamente a todo crente que já se sentiu inadequado. Frequentemente presumimos que Deus usa apenas pessoas excepcionalmente talentosas, com recursos extraordinários ou circunstâncias ideais. As Escrituras contam uma história diferente. Repetidas vezes, Deus escolhe pessoas comuns carregando recursos comuns, para que o seu poder extraordinário se torne inconfundível. Gideão tinha apenas trezentos homens. Davi carregava apenas uma funda e cinco pedras lisas. Uma jovem serva apontou Naamã para a cura. Uma viúva deu duas moedinhas. Um pescador amedrontado pregou no Dia de Pentecostes. Nenhuma dessas pessoas possuía o que o mundo chamaria de suficiente, mas cada uma delas descobriu que o que é entregue a Deus nunca é medido pelo seu tamanho, mas pela sua disponibilidade.
Talvez isso explique por que Deus frequentemente espera até que a força humana chegue ao seu limite antes de revelar o seu poder. Enquanto acreditarmos que nossas próprias habilidades são suficientes, seremos tentados a depender de nós mesmos. Mas quando finalmente reconhecemos nossa fraqueza, descobrimos o que Paulo quis dizer quando escreveu: “Minha graça é suficiente para você, pois o meu poder se aperfeiçoa na fraqueza” (2 Coríntios 12:9). A fraqueza não é um obstáculo ao poder de Deus; é frequentemente o palco onde o seu poder é mais claramente exibido.
Foi exatamente isso que o Pastor Robert Tisdale estava comunicando quando declarou que os milagres começam quando paramos de nos apegar ao que perdemos e começamos a usar o que ainda temos. A
declaração não é apenas inspiradora: é profundamente bíblica. Cada milagre que consideramos neste capítulo começou quando alguém parou de medir suas limitações e começou a confiar na suficiência de Deus. Moisés entregou um cajado. Uma viúva ofereceu um pouco de azeite. Um menino entregou o seu lanche. Nenhum deles sabia o que Deus estava prestes a fazer. Eles simplesmente colocaram o que restava em suas mãos.
Talvez a maior pergunta que podemos fazer a nós mesmos não seja: “O que eu perdi?”, mas sim: “O que Deus já colocou em minhas mãos?” A resposta pode parecer comum hoje, mas, ao longo das Escrituras, Deus tem constantemente construído milagres extraordinários a partir de atos comuns de fé. Ele nunca precisou de abundância para realizar os seus propósitos. Ele apenas pediu entrega. Essa verdade deveria encher todo crente de esperança. Não importa o que a vida tenha tirado, se Cristo permanece, então a possibilidade permanece. Se a fé permanece, então o propósito permanece. Se o Espírito Santo permanece, então o poder permanece. E se Deus ainda tem algo em nossas mãos, por menor que pareça, ele é mais do que capaz de usá-lo para a sua glória. O milagre pode não começar com o que gostaríamos de ainda possuir. Na maioria das vezes, ele começa com a simples decisão de colocar o que resta nas mãos daquele que nunca falhou.
12 / 15 ✎ Reflita
O que está em suas mãos agora, um dom, um relacionamento, um recurso, um pequeno ato de obediência, que você tem descartado por parecer pequeno demais para Deus usar?
13 / 15 Capítulo Às Vezes O Maior Milagre De Deus É O Seu Povo
Um dos aspectos mais bonitos do culto que inspirou este estudo é que ele nunca esteve centrado em uma única pessoa. Não houve um programa cuidadosamente orquestrado, nenhuma pressa para chegar à próxima parte do culto, e nenhuma tentativa de manter uma agenda. Em vez disso, havia uma santa sensibilidade à direção do Espírito. Muito antes de o Pastor Robert Tisdale abrir suas anotações bíblicas, Deus já estava se movendo por toda a congregação. As pessoas oravam umas pelas outras. As famílias eram consoladas. As lágrimas corriam livremente. Alguns adoravam enquanto outros intercediam. Os crentes se reuniam ao redor de quem carregava fardos pesados, impondo as mãos sobre os enfermos e encorajando os cansados. O santuário se tornou uma expressão viva do que a Igreja do Novo Testamento sempre foi projetada para ser: não uma plateia assistindo a um ministério acontecer, mas o Corpo de Cristo ministrando ativamente uns aos outros.
Esse é precisamente o quadro que encontramos ao longo do livro de Atos. Quando lemos sobre a igreja primitiva, descobrimos que os milagres nunca foram demonstrações isoladas do poder de Deus destinadas apenas a impressionar uma multidão. Cada milagre fortalecia a fé do povo de Deus, atraía incrédulos a Cristo e reforçava a unidade da Igreja. O sobrenatural nunca esteve desconectado da comunidade de crentes. Ao contrário, o poder de Deus fluía por meio de homens e mulheres comuns que se haviam entregado à obra do Espírito Santo.
Esse entendimento desafia a forma como muitas pessoas pensam sobre o ministério hoje. É fácil imaginar que o ministério pertence principalmente a pastores, evangelistas, missionários, ou a quem está atrás de um púlpito. As Escrituras pintam um quadro bem diferente. O apóstolo Paulo descreve a Igreja como um corpo vivo, composto por muitos membros, cada um projetado e capacitado de forma única por Deus. Todo crente recebeu um propósito, todo crente foi confiado com dons espirituais, e todo crente tem um papel a desempenhar no fortalecimento do corpo de Cristo. O olho não pode substituir a mão, nem a mão pode funcionar independentemente do pé. Todo membro importa porque todo membro pertence a Cristo (1 Coríntios 12:12-27).
Essa verdade se torna especialmente bonita durante temporadas de sofrimento. Paulo escreve: “Se um membro sofre, todos sofrem com ele...” (1 Coríntios 12:26). Em outras palavras, a dor nunca deveria ser carregada sozinha. Quando um crente sofre, o corpo inteiro é convidado a responder com compaixão, oração, encorajamento e apoio prático. Esse é um dos maiores presentes de Deus para o seu povo. Ele nunca teve a intenção de que lutássemos nossas batalhas isolados. Ele nos cercou de uma família espiritual, para que, quando nossas próprias forças começarem a falhar, a fé de outra pessoa possa nos ajudar a seguir em frente.
Talvez seja por isso que o isolamento é uma das armas mais eficazes do inimigo. A dor naturalmente nos tenta a recuar. Silenciosamente nos convencemos de que ninguém entende a nossa luta, de que devemos guardar nossos fardos só para nós, ou de que voltaremos à comunhão quando a vida ficar mais fácil. No entanto, cada um desses pensamentos nos afasta do projeto de Deus. Um ramo separado da videira não pode florescer. Uma ovelha separada do rebanho se torna vulnerável. Da mesma forma, crentes que se isolam frequentemente se privam de um dos principais instrumentos de cura de Deus: o encorajamento e a força do Corpo de Cristo.
Ao longo das Escrituras, vemos repetidamente Deus usando crentes comuns para realizar um ministério extraordinário. Barnabé, cujo nome significa “filho de consolação” ou “filho de encorajamento”, tornou-se um dos líderes mais influentes da igreja primitiva não porque buscasse reconhecimento, mas porque continuamente fortalecia os outros. Quando o recém-convertido Saulo era visto com suspeita, Barnabé acreditou nele. Quando João Marcos falhou e outros estavam prontos para descartá-lo, Barnabé viu potencial onde outros viam decepção. Repetidas vezes, Deus usou o seu ministério de encorajamento para moldar líderes que mais tarde impactariam o mundo. Barnabé nos lembra que o encorajamento não é um ministério secundário dentro da Igreja; é uma das formas pelas quais o próprio Cristo ministra por meio do seu povo.
Outro belo exemplo está próximo do fim da vida do apóstolo Paulo. Escrevendo de uma fria prisão romana, abandonado por muitos que antes haviam trabalhado ao seu lado, Paulo parou para honrar um homem pelo nome. Falando de Onesíforo, ele escreveu: “Conceda o Senhor misericórdia à família de Onesíforo, porque muitas vezes ele me reanimou e não se envergonhou das minhas correntes” (2 Timóteo 1:16). Essas palavras são profundamente comoventes. Paulo não elogiou Onesíforo porque pregava sermões notáveis ou realizava milagres extraordinários. Ele o honrou porque se recusou a abandonar um irmão sofredor. Enquanto outros mantinham distância de um prisioneiro condenado, Onesíforo o procurou diligentemente até encontrá-lo e permaneceu ao seu lado. Às vezes, o maior ministério que podemos oferecer a outra pessoa é simplesmente a nossa presença fiel. Isso nos lembra que nem todo milagre parece dramático. Alguns milagres acontecem silenciosamente. Um telefonema chega exatamente no momento certo. Uma oração fortalece um coração cansado. Uma refeição aparece na porta de uma família enlutada. Uma palavra de encorajamento impede que alguém desista. Um irmão ou uma irmã em Cristo se senta ao nosso lado em silêncio quando as palavras já não bastam. Esses momentos raramente recebem atenção pública, mas o céu vê cada um deles. Eles são santos porque revelam a compaixão de Cristo agindo por meio do seu povo.
Foi exatamente isso que aconteceu durante este culto. Antes de haver uma pregação, houve ministração. Antes de haver uma mensagem, houve compaixão. Antes de qualquer pessoa ouvir um princípio bíblico explicado, elas viram os crentes vivê-lo. Orações de cura preencheram o santuário. A adoração se elevou de corações que carregavam tanto fé quanto tristeza. A congregação continuou dando generosamente para abençoar outros, mesmo enquanto muitos carregavam seus próprios fardos. O Espírito Santo já estava ensinando a lição: não por meio de um roteiro preparado, mas por meio da própria vida da igreja. Então, perto do encerramento do culto, o Pastor Robert Tisdale abriu as anotações que havia preparado semanas antes. Em vez de pregar toda a mensagem que havia planejado, ele simplesmente leu a frase de abertura:
“Os milagres começam quando você para de se apegar ao que perdeu e começa a usar o que ainda tem.” Naquele momento, algo notável se tornou evidente. O Espírito Santo já havia pregado a mensagem.
Todos no santuário haviam testemunhado crentes usando o que restava. Haviam visto pessoas adorando em meio ao luto, continuando a servir enquanto carregavam fardos pesados, encorajando umas às outras entre lágrimas e dando generosamente apesar de circunstâncias difíceis. Sem perceber, haviam passado o culto inteiro vendo aquela única frase ganhar vida. A mensagem não foi anunciada primeiro do púlpito; ela já havia sido demonstrada por meio de vidas entregues.
Talvez essa seja uma das maiores lições que este estudo nos deixa. Frequentemente oramos para que Deus realize um milagre imaginando algo repentino e extraordinário. No entanto, muitas vezes, o primeiro milagre de Deus é muito mais silencioso. Ele começa quando um crente escolhe o perdão em vez da amargura. Começa quando alguém levanta as mãos em adoração depois de receber uma notícia dolorosa. Começa quando uma família enlutada consola outra família enlutada. Começa quando uma igreja se recusa a se deixar consumir pela própria dor e continua amando, servindo, orando e dando. Foi exatamente isso que aconteceu naquele dia.
O milagre não foi simplesmente que Deus deu ao Pastor Robert Tisdale uma mensagem semanas antes do culto.
O milagre foi que a Igreja já havia se tornado a mensagem antes
mesmo de a primeira frase ser lida.
Talvez essa ainda seja uma das formas favoritas de Deus se revelar. Antes de falar por meio de um sermão, ele frequentemente fala por meio de um povo entregue. Quando o Corpo de Cristo ama como Jesus amou, serve como Jesus serviu, carrega os fardos uns dos outros e continua usando o que resta, o mundo testemunha algo que nenhum sermão sozinho conseguiria comunicar plenamente.
A própria Igreja se torna evidência viva de que Jesus Cristo ainda está vivo, ainda está agindo e ainda está realizando milagres hoje.
✎ REFLITA Quem tem sido as mãos e a voz de Deus para você em uma temporada difícil? Escreva uma breve oração de gratidão por essa pessoa, e pergunte a Deus como você pode ser essa pessoa para alguém.
14 / 15 Conclusão O Que Permanece É Suficiente
Ao chegarmos ao final deste estudo, somos trazidos de volta à verdade simples e profunda que primeiro capturou a nossa atenção:
“Os milagres começam quando você para de se apegar ao que perdeu e começa a usar o que ainda tem.” Ao longo destes capítulos, descobrimos que isso é muito mais do que uma declaração encorajadora. É um padrão bíblico que se estende por todas as páginas das Escrituras. Repetidas vezes, Deus encontra homens e mulheres no lugar de sua maior perda: não para lembrá-los do que se foi, mas para revelar o que ainda permanece. Enquanto a natureza humana instintivamente olha para trás, Deus continuamente chama o seu povo a olhar para frente. Enquanto contamos o que nos foi tirado, ele nos aponta para o que a sua graça preservou.
As histórias que examinamos testemunham essa realidade. José perdeu a família, a liberdade e anos de sua vida, mas Deus lhe deu um coração livre de amargura e o fez frutífero exatamente na terra de sua aflição. Moisés acreditava que seus melhores anos haviam ficado para trás, mas Deus iniciou uma libertação nacional com nada mais do que um cajado de pastor. Uma viúva acreditava que não tinha mais nada além de um pouco de azeite, mas aquele “pouco” se tornou a fonte do seu milagre. Um menino entregou cinco pães e dois peixes, e eles se tornaram alimento para milhares. Em cada relato, o céu nunca começou pelo que havia se perdido. O céu começou pelo que restava.
Talvez seja porque Deus nunca mediu a nossa utilidade pelo tamanho dos nossos recursos. Ele mede a nossa disposição de colocar esses recursos em suas mãos. O Senhor nunca foi limitado por pequenos começos, pessoas comuns ou circunstâncias impossíveis. O seu poder sempre foi revelado por meio de vidas entregues. O que nos parece insignificante muitas vezes se torna extraordinário assim que é confiado a ele.
Essa verdade também muda a forma como enxergamos nossas temporadas de luto. A perda é real, e as Escrituras nunca minimizam a dor da tristeza. O povo de Deus sempre chorou. Choraram a morte de entes queridos, o colapso de sonhos, temporadas de decepção e momentos de profundo sofrimento. No entanto, o luto nunca teve a intenção de se tornar sua morada permanente. O Deus que nos convida a chorar é o mesmo Deus que promete nos consolar. Ele caminha suavemente ao nosso lado até que o nosso pranto se transforme em esperança, não porque o passado seja esquecido, mas porque a sua presença se torna maior do que a nossa dor.
Uma das belas lições deste estudo é que a cura raramente é uma experiência isolada. Deus frequentemente nos restaura por meio do ministério do seu povo. Às vezes, a resposta dele vem por meio de um irmão que se recusa a parar de orar. Às vezes vem por meio de uma irmã cujas palavras de encorajamento chegam exatamente no momento certo. Às vezes vem por meio de uma família da igreja que silenciosamente carrega fardos que nunca deveríamos carregar sozinhos. Frequentemente pedimos a Deus que envie um milagre, sem perceber que ele já nos colocou em uma família onde a sua graça flui continuamente de um crente para outro.
Foi exatamente isso que aconteceu durante o culto que inspirou esta lição. Antes de haver uma pregação, houve adoração. Antes de haver uma mensagem, houve ministração. Antes que a primeira frase das anotações do Pastor Robert Tisdale fosse lida, o Espírito Santo já vinha pregando essa mensagem por meio da vida do povo de Deus. A congregação adorou em meio à dor. Oraram pelos sofredores. Continuaram dando. Ministraram uns aos outros. Usaram o que restava.
Talvez esse seja um dos maiores lembretes para todo crente hoje.
O milagre pelo qual você tem orado talvez não comece com a chegada de algo novo.
Ele pode começar com a entrega de algo que você já tem.
O seu testemunho pode ser exatamente o que outra pessoa desesperadamente precisa ouvir. A sua oração pode se tornar a força que outro crente vem pedindo a Deus.
A sua fidelidade durante uma temporada difícil pode encorajar alguém que silenciosamente está pensando em desistir.
A sua generosidade pode se tornar a provisão de Deus para outra família.
A sua adoração no meio da sua própria dor pode lembrar alguém de que Deus ainda é digno de louvor. Nunca subestime o que Deus pode fazer com uma vida entregue.
Há uma última lição que ecoa por todas as páginas das Escrituras. Deus sempre se especializou em trazer vida de lugares onde todos esperavam a morte. Ele trouxe uma nação de um casal idoso que não tinha filhos. Trouxe água de uma rocha. Trouxe pão do céu. Trouxe vitória por meio de um jovem pastor. Trouxe salvação por meio de uma cruz. Trouxe ressurreição de um túmulo vazio.
É quem ele é.
Ele é o Deus que cria algo a partir do que parece não ser nada.
Ele é o Deus que restaura o que parece impossível de consertar.
Ele é o Deus que ainda escreve finais lindos depois de capítulos dolorosos.
E porque ele nunca muda, ele ainda está fazendo o mesmo hoje.
Então, onde quer que este estudo o encontre: seja você alguém atravessando o luto, a decepção, a incerteza, ou simplesmente esperando que Deus se mova novamente: lembre-se disto: a sua história não terminou. Se você ainda tem fé, Deus pode usá-la. Se você ainda tem uma voz, Deus pode usá-la. Se você ainda tem um coração disposto, Deus pode usá-lo. Se o Espírito Santo ainda habita em você, então você possui tudo o que é necessário para que Deus continue escrevendo o seu propósito através da sua vida.
Não gaste o amanhã lamentando o que o ontem levou.
Erga os seus olhos.
Abra as suas mãos.
Confie no Senhor.
Ofereça a ele o que resta.
Porque em toda a Escritura: e em toda a vida do povo de Deus hoje: os maiores milagres frequentemente começaram com aqueles que simplesmente colocaram o que lhes restava nas mãos de um Deus fiel. Porque o que permanece nas mãos de Deus sempre será mais do que
suficiente.
15 / 15 ✎ Reflita
Escreva, em uma frase, o que ainda permanece em sua vida depois de tudo o que você atravessou. Depois, escreva uma breve oração colocando isso nas mãos de Deus.
Mais da biblioteca
22 de julho de 2026
Parte 5: A Pessoa Por Trás do Manto
Uma das maiores tragédias da natureza humana é que muitas vezes nos tornamos conhecidos pelo que nos aconteceu, em vez de por quem Deus nos criou para ser. Uma pessoa luta contra o vício, e eventualmente todos passam a chamá-la de viciada. Alguém passa por um divórcio, um fracasso, uma depressão ou uma traição, e logo essa temporada se…
16 de julho de 2026
Parte 2: Mais Do Que Aquilo Que Te Cobre
“Então, chegaram a Jericó. Quando Jesus e os seus discípulos, com uma grande multidão, estavam saindo da cidade, o filho de Timeu, Bartimeu, que era cego, estava sentado à beira do caminho pedindo esmolas… Lançando a capa para o lado, com um pulo, pôs-se de pé e
26 de julho de 2026
Parte 6: A Voz Que Te Tira do Manto
Todo milagre nas Escrituras começa com Deus falando e alguém respondendo. A própria criação começou com as palavras: “E Deus disse...” (Gênesis 1). Abraão deixou sua terra natal porque ouviu a voz de Deus. Moisés voltou ao Egito porque ouviu a Deus na sarça ardente. Samuel se tornou profeta porque respondeu: “Fala, pois o teu servo…