A Consagração Antes que Deus Faça Maravilhas
1 / 18 Deus Muitas Vezes Repete Seus Milagres com Propósitos Diferentes
Um dos padrões mais belos que descobrimos ao longo das Escrituras é que Deus muitas vezes repete suas obras, mas o faz para revelar uma dimensão mais profunda do seu caráter e do seu propósito. Todo milagre é intencional. Deus nunca realiza maravilhas apenas para impressionar as pessoas; cada milagre ensina uma verdade espiritual e leva o seu povo um passo mais perto do seu propósito eterno. Quando comparamos a travessia de Israel pelo Mar Vermelho, em Êxodo, com a travessia do Rio Jordão, em Josué, notamos imediatamente semelhanças impressionantes. Em ambos os eventos, Deus deteve as águas, abriu um caminho seco onde não havia nenhum, e conduziu seu povo em segurança pelo outro lado. No entanto, embora o milagre parecesse semelhante na superfície, o propósito de Deus era completamente diferente.
A primeira travessia aconteceu no Mar Vermelho, sob a liderança de Moisés. Israel acabara de ser libertado de mais de quatro séculos de escravidão no Egito. O exército do faraó estava atrás deles, o mar estava à sua frente, e parecia não haver como escapar. Naquele momento, Deus demonstrou seu poder incomparável ao dividir as águas, permitindo que o seu povo atravessasse em terra seca antes de destruir o exército egípcio que os perseguia. Esse milagre foi a declaração de Deus de que somente ele era o Libertador de Israel. A travessia do Mar Vermelho marcou o fim da escravidão e o início de uma vida nova. Foi um milagre de redenção.
Então Moisés estendeu a mão sobre o mar, e o Senhor afastou o mar e o tornou em terra seca, com um forte vento oriental que soprou toda aquela noite. As águas se dividiram, e os israelitas atravessaram pelo meio do mar em terra seca, tendo uma parede de água à direita e outra à esquerda.
ÊXODO 14:21-22 (NVI)
Anos depois, outra geração se colocou diante de outra massa de água. Dessa vez não era o Mar Vermelho, mas o Rio Jordão. Moisés havia morrido, e Josué se tornara o novo líder de Israel. O povo já não fugia do Egito; estava parado no limiar da terra que Deus havia prometido a Abraão séculos antes. Não havia exército egípcio os perseguindo. Em vez disso, havia uma herança esperando do outro lado. Mais uma vez, Deus deteve as águas. Mais uma vez, o seu povo atravessou em terra seca. Mas esse milagre não se tratava de escapar da escravidão, e sim de entrar na promessa. O Deus que liberta também é o Deus que estabelece o seu povo nas bênçãos que preparou para ele.
O irmão Taylor Fairbanks destaca uma distinção importante em Josué 3. Antes mesmo de as águas se abrirem, Josué deu ao povo uma ordem notável: "Santifiquem-se, pois amanhã o Senhor fará maravilhas entre vocês." Diferente do Mar Vermelho, onde Israel estava fugindo de um inimigo, o Rio Jordão exigia preparação antes que pudessem entrar na promessa de Deus. O milagre foi precedido pela consagração. Josué ordenou ao povo: “Santifiquem-se, pois amanhã o Senhor fará maravilhas entre vocês”.
JOSUÉ 3:5 (NVI)
Isso revela um princípio espiritual poderoso. Deus não apenas nos livra de algo; ele sempre deseja nos conduzir a algo. Com muita frequência celebramos a nossa salvação, mas deixamos de buscar o nosso chamado. Israel não podia permanecer para sempre do lado do deserto, no Jordão. A intenção de Deus nunca foi apenas resgatá-los do Egito, mas estabelecê-los em Canaã. Da mesma forma, a nossa experiência de arrependimento, do batismo em nome de Jesus e do enchimento do Espírito Santo não é a linha de chegada da nossa jornada espiritual, é o começo de uma vida de crescimento contínuo, maturidade espiritual e propósito no Reino.
O Novo Testamento reflete esse mesmo padrão. Jesus não salvou os seus discípulos apenas para perdoar os seus pecados; ele os transformou em apóstolos que viriam a virar o mundo de cabeça para baixo. Paulo lembrou aos crentes em Éfeso que a salvação nunca foi o objetivo final de Deus.
Porque somos criação de Deus realizada em Cristo Jesus para fazermos boas obras, as quais Deus preparou antes para nós as praticarmos.
EFÉSIOS 2:10 (NVI)
Observe a progressão. Somos salvos para boas obras. A graça não termina no perdão; a graça capacita para o propósito. Deus nos liberta do pecado para que possamos nos tornar instrumentos por meio dos quais a sua glória é revelada ao mundo.
Talvez a maior lição dessas duas travessias seja que todo crente vive as duas jornadas. Existe um momento Mar Vermelho, quando Deus quebra as correntes do nosso passado, perdoa os nossos pecados e nos liberta por meio do seu poder salvador. Mas também existe um momento Jordão, quando ele nos chama a deixar para trás a acomodação espiritual e avançar para níveis mais profundos de fé, obediência, consagração e utilidade em seu Reino. O Deus que abriu o primeiro mar é fiel para abrir também o segundo rio. A questão não é se Deus é capaz de realizar outro milagre. A questão é se estamos dispostos a nos preparar para o propósito maior que ele reserva do outro lado.
À medida que avançarmos neste estudo, descobriremos que o maior obstáculo entre o povo de Deus e as suas promessas nem sempre é um inimigo à sua frente. Às vezes, é simplesmente a necessidade de um coração totalmente rendido a ele. Antes de realizar maravilhas entre o seu povo, Deus muitas vezes o chama para algo que parece simples, mas é profundamente transformador: "Santifiquem-se." Esse chamado à consagração se torna a porta pela qual entramos em tudo o que Deus deseja fazer em nossas vidas.
2 / 18 A Libertação Não É o Fim da Jornada
Um dos maiores mal-entendidos na vida cristã é acreditar que a salvação é o destino, e não o começo. Muitas pessoas se alegram quando Deus as liberta do pecado, quebra hábitos destrutivos, restaura suas vidas ou as enche do Espírito Santo, e com razão. O próprio céu se alegra por um pecador que se arrepende (Lucas 15:7). No entanto, se pararmos por aí, perdemos o propósito maior da redenção de Deus. A intenção de Deus nunca foi apenas tirar o seu povo da escravidão; o seu propósito é conduzi-lo às suas promessas. A libertação não é o objetivo final de Deus, é o seu ponto de partida.
Essa verdade é lindamente ilustrada na história de Israel. A geração que atravessou o Mar Vermelho viveu um dos maiores milagres registrados nas Escrituras. Eles viram as águas se dividirem diante dos seus olhos. Caminharam pelo mar em terra seca. Testemunharam o poderoso exército do faraó ser engolido pelo mar. Cantaram cânticos de vitória na margem oposta porque o Deus de Abraão, Isaque e Jacó os havia libertado de séculos de escravidão. No entanto, apesar de terem testemunhado um poder tão extraordinário, muitas dessas mesmas pessoas nunca entraram na Terra Prometida.
O problema nunca foi a capacidade de Deus de cumprir a sua promessa. O problema era que, embora Israel tivesse saído do Egito fisicamente, o Egito nunca havia saído completamente do seu coração. Eles haviam sido libertos da escravidão, mas ainda não tinham aprendido a viver como o povo da aliança de Deus. Olhavam continuamente para trás, em vez de olhar para frente. Quando surgiam dificuldades, ansiavam pela familiaridade do Egito, em vez de confiar no Deus que já havia se mostrado fiel. Todos os israelitas queixaram-se contra Moisés e contra Arão, e toda a comunidade lhes disse: “Quem dera tivéssemos morrido no Egito! Ou neste deserto! Por que o Senhor está nos trazendo para esta terra? Só para nos deixar cair à espada? Nossas mulheres e nossos filhos serão tomados como despojo de guerra. Não seria melhor voltar para o Egito?” E disseram uns aos outros: “Escolheremos um chefe e voltaremos para o Egito!”
NÚMEROS 14:2-4 (NVI)
É surpreendente que um povo que havia visto o Mar Vermelho se abrir ainda desejasse voltar ao lugar da sua escravidão. Mas antes de julgarmos Israel com demasiada dureza, precisamos reconhecer que muitas vezes enfrentamos a mesma tentação. Há momentos em que Deus nos liberta de hábitos pecaminosos, relacionamentos nocivos, pensamentos destrutivos ou acomodação espiritual, mas quando vêm as provações, a carne anseia pelo que é familiar, em vez do que é santo. A liberdade exige fé, porque as promessas de Deus muitas vezes estão além da nossa zona de conforto.
O irmão Taylor Fairbanks aponta uma diferença significativa entre a primeira travessia e a segunda. No Mar Vermelho, Israel estava escapando de um inimigo. No Rio Jordão, não havia exército egípcio atrás deles. Em vez disso, havia uma herança diante deles. O obstáculo já não era a escravidão; era crer em Deus para o próximo passo. O maior desafio deles não era sair do Egito, era confiar o suficiente em Deus para entrar em Canaã.
Essa distinção fala diretamente a cada crente. Muitos de nós podemos testemunhar sobre o dia em que Deus nos salvou. Lembramos da paz que inundou o nosso coração depois do arrependimento. Lembramos da alegria do batismo em nome de Jesus e do enchimento do Espírito Santo. Esses momentos são
preciosos e jamais devem ser esquecidos. No entanto, o Senhor continua perguntando a cada um de nós: "Você continuará me seguindo?" A salvação não é apenas um evento para ser lembrado; é a porta de entrada para um relacionamento para toda a vida que continuamente nos transforma à imagem de Cristo. O apóstolo Paulo expressou essa progressão em sua própria vida. Embora tivesse vivido uma conversão dramática no caminho de Damasco e tivesse sido poderosamente usado por Deus, ele se recusava a acreditar que já havia chegado espiritualmente.
Irmãos, não penso que eu mesmo já o tenha alcançado, mas uma coisa faço: esquecendo-me das coisas que ficaram para trás e avançando para as que estão adiante, prossigo para o alvo, a fim de ganhar o prêmio do chamado celestial de Deus em Cristo Jesus.
FILIPENSES 3:13-14 (NVI)
Observe a linguagem de Paulo. Ele não vivia das vitórias de ontem. Também não estava preso pelos fracassos de ontem. Seus olhos permaneciam fixos no futuro que Deus havia preparado para ele. Crentes maduros entendem que cada estação com Deus abre a porta para uma estação ainda mais profunda. A vida cristã é uma jornada contínua de glória em glória (2 Coríntios 3:18), de fé em fé (Romanos 1:17) e de força em força (Salmos 84:7).
Essa é uma das razões pelas quais o crescimento espiritual às vezes parece desconfortável. Deus raramente nos deixa onde estamos. Assim como Israel teve que deixar o deserto para trás a fim de possuir Canaã, precisamos continuamente deixar para trás velhas atitudes, velhos medos, velhas prioridades e velhas formas de pensar. Cada novo nível de maturidade espiritual exige maior confiança, entrega mais profunda e dependência crescente do Senhor. Aquele que nos tirou do Egito é o mesmo Deus que agora nos chama a caminhar rumo à nossa herança.
A tragédia da geração do deserto não foi a falta de milagres. Eles viviam milagres quase diariamente. Comiam maná do céu. Bebiam água da rocha. Suas roupas não se desgastavam. Uma coluna de nuvem os guiava de dia, e uma coluna de fogo, de noite. Mas os milagres, por si só, não conseguiam produzir maturidade. A provisão sobrenatural de Deus tinha o propósito de desenvolver a fé deles, mas muitos permitiram que a incredulidade endurecesse o seu coração.
O autor de Hebreus usa a experiência de Israel como advertência para a igreja do Novo Testamento. E a quem jurou que nunca haveriam de entrar no seu descanso? Não foi àqueles que foram desobedientes? Vemos, assim, que por causa da incredulidade não puderam entrar.
HEBREUS 3:18-19 (NVI)
Observe com atenção que Israel não fracassou porque Deus mudou de ideia. Fracassaram porque se recusaram a confiar nele. A maior barreira entre eles e a Terra Prometida não era o Rio Jordão, nem as cidades fortificadas de Canaã, nem os gigantes que ali viviam. O maior obstáculo deles era a incredulidade.
Talvez a verdade mais encorajadora sobre a geração de Josué seja que eles se recusaram a repetir os erros dos que vieram antes deles. Eles se colocaram diante de outro rio impossível, mas, em vez de reclamar, obedeceram. Em vez de ansiar pelo passado, se prepararam para o futuro. Em vez de permitir que o medo ditasse suas ações, seguiram a presença de Deus para onde quer que ela os conduzisse. A história deles nos lembra que cada geração tem a oportunidade de escolher a fé em vez do medo, e a obediência em vez da hesitação.
Como crentes hoje, precisamos continuamente nos fazer uma pergunta importante: estamos satisfeitos apenas porque Deus nos tirou do Egito, ou estamos dispostos a segui-lo até o fim, rumo às promessas que ele preparou para as nossas vidas? A resposta a essa pergunta vai determinar se passaremos a vida vagando em um deserto espiritual ou caminhando na plenitude do propósito de Deus. E, como Josué revela, o caminho para essa promessa sempre começa com uma palavra essencial: consagração.
3 / 18 A Consagração Sempre Precede as Maravilhas de Deus
Bem no centro da mensagem de Josué a Israel está um dos princípios mais profundos encontrados nas Escrituras:
Josué ordenou ao povo: “Santifiquem-se, pois amanhã o Senhor fará maravilhas entre vocês”.
JOSUÉ 3:5 (NVI)
Observe a ordem. Josué não começou falando sobre o Rio Jordão. Não discutiu estratégia militar nem explicou como Deus pretendia deter as águas. Ele simplesmente deu uma ordem: "Santifiquem-se." Só depois dessa ordem veio a promessa: "Amanhã o Senhor fará maravilhas entre vocês." Deus colocou intencionalmente a consagração antes do milagre, porque estava preparando o seu povo não apenas para testemunhar o seu poder, mas também para administrar o que estava prestes a fazer.
Esse princípio aparece ao longo de toda a Bíblia. Deus muitas vezes prepara o seu povo internamente antes de mudar suas circunstâncias externamente. Naturalmente focamos no que Deus vai fazer ao nosso redor, mas Deus, muitas vezes, está muito mais interessado no que está fazendo dentro de nós. Antes de mudar a nossa situação, ele deseja transformar o nosso coração. Antes de abrir uma nova porta, ele prepara a pessoa que vai atravessá-la.
A palavra "santificar" ou "consagrar" carrega um significado muito mais rico do que muitas pessoas percebem. No Antigo Testamento, ela significa literalmente separar, tornar santo ou dedicar algo exclusivamente para o uso de Deus. Não era apenas a remoção da impureza; era o ato positivo de pertencer completamente ao Senhor.
Os sacerdotes eram consagrados. O tabernáculo era consagrado. O altar era consagrado. Os sacrifícios eram consagrados.
Tudo o que era dedicado ao serviço de Deus era primeiro separado, antes de poder ser usado para a sua glória.
Esse mesmo princípio agora se aplica a todo crente.
Vocês, porém, são geração eleita, sacerdócio real, nação santa, povo exclusivo de Deus, para anunciar as grandezas daquele que os chamou das trevas para a sua maravilhosa luz.
1 PEDRO 2:9 (NVI)
Sob a Nova Aliança, Deus não está mais preparando um tabernáculo físico. Ele está preparando o seu povo. Nos tornamos o templo do Espírito Santo (1 Coríntios 6:19). Portanto, a consagração já não se trata apenas de objetos santos, e sim de vidas santas.
Isso nos ajuda a entender algo muito importante. A consagração não é uma tentativa de Deus de limitar a nossa liberdade. É o convite de Deus para entrarmos em sua presença. Com muita frequência, ouvimos a palavra santidade e imediatamente pensamos em restrições, regras ou coisas que não podemos fazer. No entanto, em toda a Escritura, a santidade nunca é apresentada como punição. A santidade é o privilégio de
pertencer a Deus.
Imagine uma noiva se preparando para o dia do seu casamento. Ela abre mão de inúmeras distrações com alegria, não porque alguém a esteja forçando, mas porque seu coração está fixo naquele que ela ama. Sua preparação é motivada pelo relacionamento. Da mesma forma, a consagração bíblica flui do amor, não do legalismo. Nós nos separamos porque desejamos uma comunhão mais profunda com o Senhor. Jesus expressou isso de forma belíssima.
Se vocês me amam, obedecerão aos meus mandamentos.
JOÃO 14:15 (NVI)
Observe que ele não disse: "Obedeçam aos meus mandamentos para que eu os ame." O amor dele vem primeiro. A nossa obediência se torna a resposta alegre ao seu amor. A consagração é simplesmente o amor expresso por meio da entrega.
Ao longo das Escrituras vemos repetidamente esse padrão: preparação antes da manifestação. Antes do Monte Sinai, o povo se lavou e se preparou para a presença de Deus.
E o Senhor disse a Moisés: “Vá ao povo e consagre-o hoje e amanhã. Eles deverão lavar as suas vestes e estar prontos no terceiro dia, porque nesse dia o Senhor descerá sobre o Monte Sinai, à vista de todo o povo.”
ÊXODO 19:10-11 (NVI)
Antes de Salomão dedicar o Templo, os sacerdotes se santificaram.
Antes do Pentecostes, os discípulos esperaram juntos em oração e unidade.
Antes das viagens missionárias de Paulo, houve temporadas de oração e jejum.
Repetidas vezes, Deus nos mostra que a preparação nunca é desperdiçada. O céu muitas vezes trabalha em silêncio antes de agir de forma visível.
Um dos maiores perigos do cristianismo moderno é que muitas vezes desejamos o poder de Deus mais do que o processo de Deus. Oramos por avivamento, mas às vezes resistimos ao arrependimento. Pedimos milagres enquanto negligenciamos a oração. Desejamos a unção sem a entrega. No entanto, em toda a Escritura, as maiores obras de Deus são quase sempre precedidas por temporadas de preparação. Considere Elias no Monte Carmelo. Antes de o fogo cair do céu, ele primeiro reparou o altar destruído (1 Reis 18:30). O milagre foi espetacular, mas a preparação veio primeiro. Deus honrou o altar restaurado antes de enviar o fogo.
Da mesma forma, quando Jesus ressuscitou Lázaro dentre os mortos, ele primeiro ordenou que o povo removesse a pedra.
Jesus disse: “Tirem a pedra”…
JOÃO 11:39 (NVI)
Será que Jesus poderia ter removido a pedra sozinho? Certamente. No entanto, ele convidou as pessoas a obedecer naquilo que podiam fazer, antes de realizar o que só ele podia fazer. Esse é, muitas vezes, o padrão de Deus. Ele nos pede obediência, enquanto ele mesmo provê o milagre.
Talvez seja por isso que a ordem de Josué seja tão simples. Ele não pediu a Israel que detivesse o rio. Não pediu que derrotassem os cananeus. Não pediu que realizassem o impossível. Ele simplesmente os chamou a se prepararem. Deus cuidaria do rio.
O mesmo continua verdadeiro hoje. Não podemos fabricar avivamento. Não podemos produzir milagres. Não podemos forçar as pessoas a crer. Somente Deus pode fazer essas coisas. Mas podemos preparar o nosso coração. Podemos nos arrepender. Podemos orar. Podemos jejuar. Podemos perdoar. Podemos remover as distrações que competem com o lugar que pertence a Deus em nossas vidas. Podemos nos apresentar diante dele como sacrifícios vivos.
Portanto, irmãos, rogo pelas misericórdias de Deus que se ofereçam em sacrifício vivo, santo e agradável a Deus; este é o culto racional de vocês.
ROMANOS 12:1 (NVI)
Observe que Paulo não descreve o sacrifício como um cristianismo extraordinário. Ele o chama de nosso culto racional. Em outras palavras, a entrega completa é a resposta normal a uma misericórdia extraordinária.
A promessa que Josué deu a Israel ainda ecoa na vida dos crentes hoje: "Amanhã o Senhor fará maravilhas entre vocês." Toda geração anseia ver Deus se mover de maneiras milagrosas. Oramos por avivamento em nossas igrejas, cura em nossas famílias, restauração em vidas quebradas e salvação para aqueles que amamos. Essas são boas orações. Mas antes que o Jordão se abra, Deus ainda fala o mesmo convite que falou milhares de anos atrás:
"Santifiquem-se."
A porta para as maravilhas de Deus nunca foi a capacidade humana. Sempre foi um coração totalmente rendido a ele.
4 / 18 A Consagração É Mais do Que Dizer "Não"
Se não tivermos cuidado, podemos desenvolver um entendimento incompleto sobre a consagração. Ouvimos a palavra e imediatamente começamos a fazer uma lista de coisas que devemos parar de fazer. Pensamos em hábitos que precisamos abandonar, tentações que devemos evitar, ou influências mundanas que devemos remover de nossas vidas. Embora essas coisas certamente tenham o seu lugar, elas não definem completamente a consagração bíblica. Se o nosso entendimento de santidade consiste apenas em dizer "não", perdemos o maior convite que Deus está nos estendendo.
O irmão Taylor Fairbanks fez uma observação profunda em sua mensagem. Ele explicou que a maioria das pessoas entende a consagração como ser separado de algo, mas deixa de reconhecer que as Escrituras ensinam que somos separados para Alguém. A ênfase não está apenas no que deixamos para trás, mas em Quem agora pertencemos.
Essa distinção muda tudo.
Deus nunca nos pede que abandonemos algo apenas para criar vazio em nossas vidas. Todo ato de separação cria espaço para um relacionamento mais profundo com ele. A vida cristã nunca se trata de privação; trata-se de troca. Deixamos de lado o que é temporário para que possamos receber o que é eterno. Entregamos o que satisfaz por um momento para que possamos possuir o que satisfaz para sempre.
Jesus ilustrou esse princípio com clareza notável.
O Reino dos céus é como um tesouro escondido num campo. Um homem o encontrou e voltou a escondê-lo; e, cheio de alegria, foi, vendeu tudo o que tinha e comprou aquele campo.
MATEUS 13:44 (NVI)
Observe por que o homem vendeu tudo. Ele não estava lamentando o que havia perdido. Estava se alegrando com o que havia encontrado. Seu sacrifício não foi motivado por obrigação, mas por uma alegria transbordante. Comparado ao tesouro diante dele, tudo o mais se tornou insignificante. Esse é o coração da consagração.
Os apóstolos também entendiam isso. Quando Pedro e André deixaram suas redes de pesca para seguir Jesus, as Escrituras nunca registram que eles reclamaram do que abandonaram. Mateus deixou a sua mesa de cobrador de impostos. Zaqueu entregou riquezas desonestas. Paulo considerou suas antigas conquistas sem valor comparadas a conhecer a Cristo.
Mas o que para mim era lucro, passei a considerar como perda por causa de Cristo. Mais do que isso, considero tudo como perda comparado com a suprema grandeza do conhecimento de
Cristo Jesus, meu Senhor,
FILIPENSES 3:7-8 (NVI)
Paulo não estava descrevendo um sacrifício relutante. Ele havia descoberto algo infinitamente maior do que tudo o que havia deixado para trás. Essa é a diferença entre religião e relacionamento. A religião se concentra no que precisa entregar. O relacionamento se concentra em Quem foi ganho.
Isso ajuda a explicar por que legalismo e santidade não são a mesma coisa.
O legalismo pergunta: "Quão perto posso chegar do mundo sem pecar?"
A consagração pergunta: "Quão perto posso chegar de Jesus?"
Um é motivado por regras. O outro é motivado pelo amor.
O outro é motivado pelo amor.
Um pergunta constantemente: "Isso é permitido?"
O outro pergunta: "Isso vai me aproximar de Cristo?"
O objetivo da santidade bíblica nunca foi apenas evitar o mal. O objetivo é buscar a Deus tão apaixonadamente que as coisas menores percam a sua atração.
Davi expressou esse anseio de forma belíssima.
Uma coisa peço ao Senhor, e a busco: habitar na casa do Senhor todos os dias da minha vida, contemplar a beleza do Senhor e meditar em seu templo.
SALMOS 27:4 (NVI)
Observe o foco de Davi. Ele não estava consumido em evitar o pecado; estava consumido em buscar a presença de Deus. Quanto mais somos cativados pela beleza de Deus, menos atraentes se tornam os substitutos do mundo.
É por isso que Jesus resumiu o maior mandamento em termos de amor, e não de regulamento. Respondeu Jesus: “Ame o Senhor, o seu Deus de todo o seu coração, de toda a sua alma e de todo o seu entendimento”. Este é o primeiro e maior mandamento.
MATEUS 22:37-38 (NVI)
Tudo o mais flui desse mandamento. Um coração que verdadeiramente ama a Deus naturalmente desejará agradá-lo. A santidade não é algo forçado sobre um crente relutante; é a resposta alegre de alguém que se apaixonou profundamente por Cristo.
O irmão Fairbanks também nos lembra que o pecado muitas vezes parece atraente por uma temporada. As próprias Escrituras reconhecem essa realidade. O pecado pode prometer prazer, empolgação, aceitação ou alívio temporário, mas nunca pode entregar paz duradoura. No fim, ele deixa a alma ainda mais vazia do que antes. A consagração, portanto, não é Deus retendo algo bom de nós. É Deus nos protegendo de
alegrias falsificadas enquanto nos convida a prazeres que nunca se desvanecem.
O autor de Hebreus descreve Moisés fazendo exatamente essa escolha.
Pela fé, Moisés, depois de ter crescido, recusou-se a ser conhecido como filho da filha de Faraó. Preferiu ser maltratado com o povo de Deus a desfrutar dos prazeres passageiros do pecado.
HEBREUS 11:24-26 (NVI)
Observe a expressão "por uma temporada". O pecado sempre anuncia o presente, mas esconde o futuro. Promete satisfação, mas, no fim, produz escravidão. Os mandamentos de Deus podem exigir um sacrifício temporário, mas sempre conduzem a uma vida abundante.
Jesus declarou:
Eu vim para que tenham vida e a tenham plenamente.
JOÃO 10:10 (NVI)
A vida abundante que Jesus promete não é encontrada acumulando mais do mundo. É encontrada entregando mais de nós mesmos a ele.
Essa verdade também remodela a forma como vemos as disciplinas espirituais, como oração, jejum, leitura bíblica e adoração. Elas não são obrigações religiosas criadas para conquistar a aprovação de Deus. São convites para uma comunhão mais profunda com ele. Orar não é apenas dizer palavras; é desfrutar da comunhão com o nosso Pai celestial. Jejuar não é simplesmente negar o corpo; é lembrar à nossa alma que a nossa fome mais profunda só pode ser saciada por Deus. Adorar não é apenas cantar músicas; é o coração respondendo à dignidade de Cristo.
A consagração, então, deixa de ser apenas sobre o que as nossas mãos soltam e passa a ser sobre o que os nossos corações abraçam.
Quando entendemos verdadeiramente isso, a santidade deixa de parecer um fardo. Ela se torna um privilégio. Já não obedecemos porque tememos perder o amor de Deus; obedecemos porque já o experimentamos. Cada ato de entrega se torna outra oportunidade de conhecê-lo mais profundamente. Como Paulo escreveu:
Fui crucificado com Cristo, e já não sou eu quem vive, mas Cristo vive em mim.
GÁLATAS 2:20 (NVI)
Essa é a essência da consagração. A vida antiga não é apenas contida, ela é substituída. As nossas ambições se tornam as ambições dele. Os nossos desejos começam a refletir os desejos dele. As nossas vidas se tornam testemunhos vivos de que a maior alegria que podemos experimentar não está no que
deixamos para trás, mas no Salvador a quem agora pertencemos.
E quando a consagração é entendida dessa forma, ela deixa de parecer perda de liberdade. Em vez disso, descobrimos o que Jesus ensinou o tempo todo: a verdadeira liberdade só é encontrada nele.
5 / 18 Existem Duas Linhas
Um dos momentos mais marcantes na mensagem do irmão Taylor Fairbanks veio por meio de uma ilustração visual simples. Ele colocou 2 cadeiras diante da congregação e as usou para representar uma linha. De um lado estava a vida da carne. Do outro lado estava a vida do Espírito. Seu ponto era ao mesmo tempo simples e profundo: existe uma linha que Deus continuamente nos chama a não cruzar, e existe outra linha que ele continuamente nos convida a cruzar. A vida cristã não se trata apenas de evitar o lado errado; trata-se de viver intencionalmente do lado certo.
Essa ilustração reflete um dos grandes temas do Novo Testamento. As Escrituras apresentam consistentemente duas formas de viver. Moisés as chamou de vida e morte. Davi as descreveu como o caminho dos justos e o caminho dos ímpios. Jesus falou do caminho estreito e do caminho largo. Paulo se referiu a elas como andar segundo a carne ou andar segundo o Espírito. Embora a terminologia mude, o princípio permanece o mesmo: todo crente precisa escolher qual direção governará a sua vida. Paulo explica esse conflito com honestidade notável.
Por isso digo: vivam pelo Espírito, e vocês de modo nenhum satisfarão o desejo da carne. Pois o desejo da carne é contrário ao Espírito, e o do Espírito é contrário à carne. Eles estão em oposição um ao outro.
GÁLATAS 5:16-17 (NVI)
Observe que Paulo não descreve a carne e o Espírito como vizinhos pacíficos. Eles estão em oposição constante. Todo crente vive essa batalha interna. No momento em que nascemos de novo, recebemos uma nova natureza que se deleita nas coisas de Deus, mas a antiga natureza pecaminosa continua a resistir à obra do Espírito. A maturidade espiritual não é a ausência desse conflito; é aprender qual voz continuaremos escolhendo obedecer.
Essa verdade deveria nos encorajar. Muitos crentes sinceros ficam desanimados porque ainda experimentam tentação depois da conversão. Eles se perguntam se há algo errado com a sua fé. No entanto, a própria luta é evidência de que o Espírito está agindo. Antes da salvação, a carne reinava sem resistência. Depois da salvação, um novo Rei reina em nós, e o conflito começa porque o nosso coração agora deseja o que agrada a Deus.
O próprio Paulo testemunhou dessa luta.
Pois no que diz respeito ao meu ser interior, tenho prazer na lei de Deus... Miserável homem que eu sou! Quem me libertará do corpo sujeito a esta morte? Graças a Deus, por Jesus Cristo, nosso Senhor!
ROMANOS 7:22-25 (NVI)
Paulo não estava justificando o pecado; estava reconhecendo a realidade da guerra espiritual. A vitória não é encontrada ao fingir que a batalha não existe. A vitória vem por meio da rendição contínua ao Espírito de Deus.
O irmão Fairbanks enfatizou que a consagração e a convicção funcionam como fronteiras amorosas. Elas nos impedem de cruzar a linha para a carne. Ele lembrou aos jovens que essas fronteiras parecerão diferentes de pessoa para pessoa, porque cada crente enfrenta tentações e fraquezas diferentes. O objetivo não é a comparação, mas a entrega sincera diante de Deus.
Esse é um princípio importante que merece atenção cuidadosa. A convicção é pessoal, mas nunca é arbitrária. O Espírito Santo sabe exatamente onde cada crente é vulnerável. O que pode ser uma atividade inofensiva para um cristão pode se tornar uma porta para a tentação de outro. Como o nosso Pai celestial nos conhece perfeitamente, ele amorosamente coloca convicções em nossas vidas para proteger a nossa comunhão com ele.
Considere a sabedoria de Provérbios.
Acima de tudo, guarde o seu coração, pois dele depende toda a sua vida.
PROVÉRBIOS 4:23 (NVI)
O coração é a fonte de onde fluem as nossas palavras, atitudes, decisões e ações. Satanás entende isso, e é por isso que ele constantemente busca acesso ao coração por meio da mente, dos olhos, dos ouvidos e dos desejos da carne. As convicções de Deus atuam como muros protetores ao redor daquilo que é mais valioso.
Imagine um pastor conduzindo ovelhas por trilhas perigosas nas montanhas. As cercas não estão ali porque o pastor não gosta das ovelhas. Elas estão ali porque ele sabe onde estão os precipícios. As ovelhas podem não entender cada fronteira, mas podem confiar na sabedoria do pastor. Da mesma forma, muitas instruções de Deus só revelam o seu propósito amoroso depois que caminhamos com ele por algum tempo.
Davi entendia essa relação entre os mandamentos de Deus e a verdadeira liberdade.
Andarei em liberdade, pois tenho buscado os teus preceitos.
SALMOS 119:45 (NVI)
À primeira vista, esse versículo quase parece contraditório. Como a obediência pode produzir liberdade? O mundo define liberdade como a ausência de restrição. As Escrituras definem liberdade como a capacidade de nos tornarmos tudo o que Deus nos criou para ser. Um trem está mais livre quando permanece sobre os trilhos. Um peixe está mais livre quando permanece na água. Os seres humanos estão mais livres quando vivem de acordo com o propósito do seu Criador.
Jesus afirmou essa mesma verdade.
Se vocês permanecerem firmes em minha palavra, verdadeiramente serão meus discípulos; e conhecerão a verdade, e a verdade os libertará.
JOÃO 8:31-32 (NVI)
Observe a progressão. Permanecer na sua Palavra produz discipulado. O discipulado revela a verdade. A verdade produz liberdade. A liberdade genuína é sempre o fruto de permanecer em Cristo. Mas a ilustração do irmão Fairbanks contém outra percepção belíssima. Boa parte do cristianismo se concentra na linha que nunca devemos cruzar, a linha para o pecado. Certamente, essa linha importa. As Escrituras repetidamente nos advertem a fugir da tentação, resistir ao diabo e nos abster de toda aparência de mal. No entanto, sua maior ênfase foi que existe outra linha que Deus continuamente nos convida a cruzar: a linha para uma vida mais profunda no Espírito.
Longe demais, muitos crentes passam a vida perguntando: "Quão perto posso chegar do mundo sem cair?" A pergunta melhor é: "Quão perto posso chegar de Jesus?"
Uma pergunta é motivada pelo medo.
A outra é motivada pelo amor.
Uma busca o limite do compromisso.
A outra busca a plenitude da presença de Deus.
Paulo encoraja os crentes a buscar esse chamado mais elevado.
Os que são dominados pela carne pensam nas coisas da carne, mas os que são dominados pelo Espírito pensam nas coisas do Espírito. A mentalidade da carne é morte, mas a mentalidade do Espírito é vida e paz.
ROMANOS 8:5-6 (NVI)
Observe o contraste. Paulo não está apenas comparando ações pecaminosas com ações justas. Ele está comparando duas mentalidades diferentes. Uma vida é governada pela carne; a outra é governada pelo Espírito. Uma produz morte; a outra produz vida e paz.
É por isso que a consagração não é simplesmente evitar o comportamento errado. É cultivar intencionalmente desejos espirituais. Cruzamos para a vida do Espírito toda vez que escolhemos a oração em vez da distração, a adoração em vez da reclamação, o perdão em vez da amargura, a humildade em vez do orgulho, a generosidade em vez do egoísmo, e a obediência em vez da conveniência. Cada decisão fortalece a nossa caminhada com Deus e enfraquece a influência da carne.
A bela promessa das Escrituras é que ninguém caminha essa jornada sozinho. O Espírito Santo capacita aquilo que ordena. Deus nunca nos pede para viver uma vida cheia do Espírito apenas pela determinação humana. O mesmo Espírito que nos convence também nos consola, nos fortalece, nos guia e produz o seu
fruto em nós.
Como Paulo conclui:
Se vivemos pelo Espírito, andemos também pelo Espírito.
GÁLATAS 5:25 (NVI)
Esse é o convite diante de todo crente. Já recebemos vida nova por meio do Espírito; agora somos chamados a andar nessa vida todos os dias. A pergunta não é mais: "Onde está a linha que devo evitar?" A pergunta maior se torna: "Até onde estou disposto a ir na presença de Deus?" É ali que se encontram a verdadeira alegria, a paz duradoura, a autoridade espiritual e o propósito de Deus.
6 / 18 Fronteiras São Atos de Graça
Um dos maiores enganos do inimigo é nos convencer de que as fronteiras de Deus existem para diminuir as nossas vidas, e não para protegê-las. Desde o Jardim do Éden até hoje, Satanás continuamente sussurra a mesma mentira: "Deus está retendo algo bom de você." Ele sugeriu a Eva que o mandamento de Deus era restritivo, e não amoroso, que a obediência a impediria de experimentar algo melhor. A tragédia é que essa mentira não mudou. Ela ainda ecoa em nossa cultura, incentivando as pessoas a verem os mandamentos de Deus como limitações, em vez de expressões do seu amor.
No entanto, quando estudamos as Escrituras, descobrimos exatamente o oposto. Toda fronteira que Deus estabelece flui de sua sabedoria perfeita, de sua santidade perfeita e de seu amor perfeito. Deus nunca coloca uma fronteira entre nós e a nossa alegria; ele coloca fronteiras entre nós e a nossa destruição. O irmão Taylor Fairbanks lembrou à congregação que a convicção não é o jeito de Deus tornar a vida miserável. Pelo contrário, a convicção amorosamente nos afasta das coisas que acabariam ferindo a nossa alma. O propósito da consagração não é apenas nos impedir de cruzar para a carne, mas nos manter posicionados para tudo o que Deus deseja realizar por meio das nossas vidas.
Esse princípio é visto desde o início das Escrituras. Quando Deus colocou Adão e Eva no Jardim do Éden, ele encheu as suas vidas de abundância. Eles desfrutavam de uma comunhão irrestrita com Deus. Toda árvore agradável aos olhos e boa para se comer estava disponível para eles. Apenas uma árvore era proibida.
E ordenou ao homem: “Coma livremente de qualquer árvore do jardim, mas não coma da árvore do conhecimento do bem e do mal, porque no dia em que dela comer, certamente morrerá.”
GÊNESIS 2:16-17 (NVI)
Observe a generosidade de Deus antes da sua restrição. Muitas vezes nos concentramos na única árvore que eles não podiam tocar, mas esquecemos as inúmeras árvores que eles foram convidados a desfrutar. O coração de Deus sempre foi de abundância. A única proibição não era evidência da sua severidade; era evidência do seu cuidado paternal.
Todo pai amoroso entende esse princípio. Os pais estabelecem regras porque compreendem perigos que os seus filhos ainda não conseguem perceber. Um pai diz ao filho para não correr para a rua movimentada, não porque queira roubar a diversão da criança, mas porque valoriza a vida dela. Uma mãe adverte o filho para não tocar em um fogão quente, não porque goste de fazer regras, mas porque entende a dor que se seguiria.
A criança pode ver apenas a restrição. O pai vê a consequência.
Da mesma forma, muitas vezes vemos os mandamentos de Deus pela perspectiva limitada do presente, enquanto Deus vê o fim desde o princípio.
O profeta Isaías nos lembra:
“Pois os meus pensamentos não são os pensamentos de vocês, nem os caminhos de vocês são os meus caminhos”, declara o Senhor. “Assim como os céus são mais altos do que a terra, também os meus caminhos são mais altos do que os seus caminhos, e os meus pensamentos, mais altos do que os pensamentos de vocês.”
ISAÍAS 55:8-9 (NVI)
O nosso Pai celestial conhece toda consequência antes que ela se desenrole. Os seus mandamentos não são reações às nossas vidas; são provisões amorosas estabelecidas muito antes de encontrarmos a tentação.
Davi entendia que os mandamentos de Deus eram expressões da sua bondade, e não fardos a carregar. Tu me farás conhecer a vereda da vida; na tua presença há plenitude de alegria, e à tua direita há delícias perpétuas.
SALMOS 16:11 (NVI)
Observe onde a alegria é encontrada.
Não fora da vontade de Deus.
Não além das suas fronteiras.
Não em rebelião contra os seus mandamentos.
A alegria é encontrada em sua presença.
O mundo constantemente promete felicidade por meio da liberdade ilimitada, mas geração após geração descobre que remover as fronteiras não produz paz. Em vez disso, muitas vezes produz confusão, quebrantamento, vício, ansiedade e vazio. O pecado promete liberdade enquanto silenciosamente constrói correntes. A verdade de Deus às vezes parece restritiva no início, mas, no fim, conduz à vida. O próprio Jesus declarou:
Se vocês obedecerem aos meus mandamentos, permanecerão no meu amor... Eu lhes falei
estas coisas para que a minha alegria esteja em vocês e a alegria de vocês seja completa.
JOÃO 15:10-11 (NVI)
Esse versículo transforma a maneira como vemos a obediência. Jesus não disse: "Obedeçam-me para que a sua alegria desapareça." Ele disse exatamente o oposto. A obediência se torna o caminho para a plenitude da alegria. Cada mandamento que Cristo dá tem a intenção de preservar, aprofundar e multiplicar a nossa alegria nele.
Essa verdade se torna especialmente importante quando pensamos em convicções pessoais. Às vezes, os crentes se comparam uns aos outros e se perguntam por que Deus parece estar lidando de forma diferente com pessoas diferentes. No entanto, o Espírito Santo sabe precisamente onde cada um de nós é vulnerável. As convicções que ele desenvolve em nossas vidas nunca são aleatórias. Elas são cuidadosamente ajustadas por um Pastor amoroso que sabe exatamente o que cada ovelha precisa. Paulo ensina esse princípio em suas instruções à igreja de Corinto.
“Tudo é permitido”, mas nem tudo convém. “Tudo é permitido”, mas nem tudo edifica.
1 CORÍNTIOS 10:23 (NVI)
Paulo nos lembra que a vida cristã não é governada apenas ao perguntar se algo é permitido. Uma pergunta mais madura é se algo é benéfico. Isso fortalece o meu relacionamento com Cristo? Isso me ajuda a me tornar mais útil no seu Reino? Isso edifica o meu espírito? Essas perguntas nos levam além do padrão mínimo de evitar o pecado e em direção à busca maior da maturidade espiritual. É por isso que a consagração nunca deveria ser vista como uma lista de verificação. A santidade não é medida apenas pelas coisas que evitamos, mas pelo Cristo a quem nos assemelhamos. O objetivo é a transformação, não simplesmente a modificação de comportamento.
Paulo expressa isso de forma belíssima.
Pois aqueles que de antemão conheceu, também os predestinou para serem conformes à
imagem de seu Filho.
ROMANOS 8:29 (NVI)
O propósito final de Deus não é simplesmente que nos tornemos pessoas mais disciplinadas. O seu desejo é que nos tornemos mais parecidos com Jesus Cristo.
Quanto mais amadurecemos espiritualmente, mais começamos a apreciar as fronteiras de Deus. O que antes parecia restritivo se torna profundamente reconfortante. Percebemos que cada convicção, cada correção, cada impulso do Espírito Santo tem sido outra expressão da graça do nosso Pai. Ele tem silenciosamente guardado os nossos corações, protegido o nosso testemunho, preservado as nossas famílias, fortalecido a nossa fé e nos preparado para uma maior utilidade em seu Reino. Olhando para trás em nossas vidas, muitos de nós podemos testemunhar que as maiores bênçãos muitas vezes vieram por meio de orações que Deus não respondeu, portas que ele não abriu, relacionamentos que ele não permitiu, oportunidades que ele fechou e caminhos que ele redirecionou. Na época, esses momentos pareciam decepcionantes. Hoje, os reconhecemos como evidência da sua mão amorosa. De quantos perigos invisíveis Deus já nos protegeu?
De quantos arrependimentos a sua Palavra já nos poupou?
De quantas feridas o seu Espírito já nos impediu simplesmente porque escolhemos obedecer? Talvez nunca saibamos disso deste lado da eternidade.
O que sabemos é isto: toda fronteira que Deus estabelece é um ato de graça.
Ele não está construindo cercas para nos impedir de ter uma vida abundante.
Ele está amorosamente nos conduzindo em direção a ela.
Como nosso Pastor, ele sempre sabe onde estão os pastos verdes, onde correm as águas tranquilas e onde começam os precipícios perigosos. Porque ele é bom, podemos confiar não apenas em suas promessas, mas também em suas fronteiras. Ambas são expressões do mesmo amor infalível que nos conduz com segurança à plenitude do seu propósito.
7 / 18 A Consagração Nos Posiciona para o Sobrenatural
Todo crente deseja experimentar a obra sobrenatural de Deus. Oramos por cura, pelo retorno de filhos pródigos, pela transformação de vidas, por um avivamento que varra as nossas igrejas, e pelo poder do Espírito Santo evidente em nossa geração. Esses desejos são bíblicos porque refletem o próprio coração de Deus. Ao longo do Antigo e do Novo Testamento, vemos repetidamente que Deus se agrada em revelar o seu poder entre o seu povo. No entanto, Josué 3 nos ensina um princípio importante que nunca deve ser negligenciado. Antes mesmo de Israel testemunhar as águas do Rio Jordão se erguerem em montão, Josué lhes deu uma ordem que parecia não ter relação com o próprio milagre: "Santifiquem-se, pois amanhã o Senhor fará maravilhas entre vocês" (Josué 3:5, NVI). O milagre era inteiramente obra de Deus, mas a consagração preparou o povo para participar do que Deus estava prestes a realizar. Essa distinção é crucial. A consagração não produziu o milagre, nem conquistou o favor de Deus. Em vez disso, ela posicionou o povo de Deus para experimentar o seu poder com corações prontos para recebê-lo. Esse princípio nos protege de dois erros opostos. Por um lado, precisamos rejeitar a ideia de que as nossas disciplinas espirituais de alguma forma colocam Deus em nossa dívida. Nenhuma quantidade de oração, jejum, leitura bíblica ou santidade pessoal pode jamais conquistar um milagre, porque toda bênção que recebemos vem pela graça de Deus. Paulo nos lembra em Efésios 2:8-9 que somos salvos pela graça, mediante a fé, "não por obras, para que ninguém se glorie". A mesma graça que nos salva é a graça que cura, restaura, liberta e realiza milagres. Por outro lado, a graça nunca deve se tornar uma desculpa para a acomodação espiritual. Embora não possamos conquistar o poder de Deus, as Escrituras mostram consistentemente que Deus prepara o seu povo antes de lhe confiar manifestações maiores de sua presença. A graça remove a nossa culpa, mas também nos convida a uma vida de entrega mais profunda. Esse padrão aparece ao longo de toda a Bíblia. Noé foi escolhido pela graça, mas ainda passou anos construindo a arca em obediência fiel antes que o dilúvio viesse. Abraão recebeu as promessas de Deus pela graça, mas teve que deixar tudo o que lhe era familiar e seguir para onde quer que o Senhor o conduzisse. Davi foi ungido rei enquanto ainda era pastor, mas anos de preparação, provação e refinamento precederam a sua coroação. Da mesma forma, os discípulos receberam a promessa do batismo do Espírito Santo diretamente de Jesus Cristo, mas ainda assim obedeceram à sua ordem de permanecer juntos em Jerusalém, orando em comum acordo, até que a promessa se cumprisse. Em cada um desses exemplos, a graça de Deus iniciou o milagre, mas a fé obediente preparou o vaso que o receberia.
O irmão Taylor Fairbanks concluiu sua mensagem desafiando a congregação a passar as próximas quarenta e oito horas em consagração intencional, por meio de oração, jejum e entrega, antes dos próximos cultos. Seu desafio não foi apresentado como uma fórmula para manipular Deus ou garantir um milagre. Pelo contrário, refletiu o mesmo padrão bíblico que Josué deu a Israel antes de atravessar o Jordão. O povo de Deus se prepara, não porque a preparação força a mão de Deus, mas porque a preparação abre o seu coração para o que Deus deseja fazer. É uma atitude que diz: "Senhor, eu não posso criar o milagre, mas eu não quero que nada em minha vida impeça o que tu desejas realizar." A história do avivamento consistentemente segue esse mesmo padrão. O Dia de Pentecostes não começou quando o som de um vento impetuoso encheu o cenáculo. Começou dias antes, quando cento e vinte crentes escolheram obedecer a Jesus permanecendo juntos em oração e unidade. Atos 1:14 nos diz que eles "perseveravam unanimemente em oração e súplicas". Muito antes de o fogo cair, houve oração.
Muito antes de três mil almas serem batizadas, houve espera. Muito antes de sinais milagrosos acompanharem o ministério dos apóstolos, houve humilde dependência de Deus. O derramamento sobrenatural de Atos 2 foi precedido por corações que já haviam se rendido completamente à vontade de Deus.
O mesmo princípio pode ser observado no ministério de Elias. Antes de o fogo cair do céu no Monte Carmelo, Elias primeiro reparou o altar quebrado que havia sido negligenciado pela nação. O milagre não começou com o fogo; começou com a restauração. Da mesma forma, o ministério profético de Isaías começou somente depois que o Senhor purificou os seus lábios com uma brasa viva do altar. Pedro pregou com ousadia somente depois de ser cheio do Espírito Santo, e os apóstolos ministraram com autoridade extraordinária porque primeiro aprenderam a dependência completa de Cristo. Ao longo das Escrituras, Deus demonstra que se agrada em usar vasos que foram preparados para os seus propósitos. Paulo expressa essa verdade de forma belíssima em 2 Timóteo 2:20-21, onde compara os crentes a vasos dentro de uma grande casa. Alguns vasos são reservados para uso comum, enquanto outros são preparados para propósitos honrosos. Ele conclui dizendo que, se uma pessoa se purificar das coisas que desonram a Deus, ela se torna "um vaso para honra, santificado e útil para o Senhor, preparado para toda boa obra". A ênfase não é que Deus ama mais um vaso do que outro, mas que a consagração aumenta a nossa utilidade nas mãos do Mestre.
Deus nunca é limitado pelo seu poder; ele está procurando corações que
estejam disponíveis, rendidos e dispostos a serem usados.
Essa verdade vai muito além daqueles que pregam por trás de um púlpito. Todo crente foi chamado a participar da obra do Reino de Deus. Alguns são chamados a pregar, outros a ensinar, outros a discipular novos crentes, encorajar os feridos, orar pelos enfermos, criar famílias piedosas, ou representar fielmente a Cristo em seus locais de trabalho e comunidades. O sobrenatural não se limita a milagres dramáticos. Toda vez que o Espírito Santo usa um crente para conduzir alguém ao arrependimento, restaurar um casamento quebrado, falar esperança a um coração desanimado, ou demonstrar o amor de Cristo por meio de simples atos de obediência, o céu está agindo. Jesus lembrou aos seus discípulos: "Vocês são a luz do mundo" (Mateus 5:14). Essa luz brilha mais intensamente quando as nossas vidas já foram rendidas a ele. Em última análise, a consagração não se trata de nos tornarmos dignos do poder de Deus; trata-se de nos tornarmos disponíveis para o propósito de Deus. Josué nunca pediu a Israel que detivesse o Rio Jordão. Essa era a responsabilidade de Deus. Ele simplesmente chamou o povo a se santificar. Da mesma forma, não somos responsáveis por produzir milagres, criar avivamento ou mudar corações. Essas coisas pertencem somente a Deus. A nossa responsabilidade é permanecer rendidos, obedientes e sensíveis à sua voz. Quando nos colocamos em suas mãos, descobrimos que ele se agrada em fazer coisas extraordinárias por meio de pessoas comuns cuja maior qualificação não é a sua capacidade, mas a sua entrega completa. É por isso que a consagração sempre precede as maravilhas de Deus. Ela prepara o vaso para que, quando o Senhor decidir agir, nada em nossas vidas impeça que entremos em tudo o que ele preparou para nós.
8 / 18 Amanhã o Senhor Fará Maravilhas
A ordem de Josué terminou com uma promessa que tem encorajado o povo de Deus por gerações: "Santifiquem-se, pois amanhã o Senhor fará maravilhas entre vocês" (Josué 3:5, NVI). Essas palavras revelam o equilíbrio incrível entre a soberania de Deus e a responsabilidade humana. Israel não podia dividir o Rio Jordão, deter as suas águas transbordantes, ou assegurar a sua herança por suas próprias forças. Essas eram obras que somente Deus poderia realizar. A responsabilidade deles era muito mais simples, mas igualmente importante. Eles foram chamados a se consagrar e confiar que o Deus que havia sido fiel no passado demonstraria mais uma vez o seu poder no presente. A obediência deles os preparou para testemunhar o que somente o Senhor poderia fazer.
A palavra "maravilhas" é significativa. Josué não prometeu eventos comuns nem explicou exatamente como Deus agiria. Em vez disso, ele declarou que o próprio Senhor faria maravilhas entre eles. Ao longo das Escrituras, essa palavra é frequentemente associada aos atos milagrosos de Deus que deixam as pessoas maravilhadas com a sua grandeza. Quando Israel olhava para trás em sua história, se lembrava das pragas no Egito, da travessia do Mar Vermelho, da coluna de nuvem de dia e da coluna de fogo de noite, do maná do céu, e da água que fluía da rocha. Esses não eram simplesmente eventos impressionantes; eram demonstrações visíveis de que somente Deus merecia a glória. O mesmo Deus que havia realizado maravilhas no passado estava prestes a realizar outro milagre diante dos seus olhos. Isso nos lembra de uma verdade importante sobre o caráter de Deus. Ele não é apenas o Deus dos milagres de ontem. Ele é o Deus da fidelidade de hoje e das promessas de amanhã. Às vezes, os crentes ficam desanimados porque passam mais tempo se lembrando do que Deus fez do que crendo no que ele ainda é capaz de fazer. Israel poderia ter permanecido do lado oriental do Jordão celebrando o milagre do Mar Vermelho pelo resto de suas vidas. Em vez disso, Deus os chamou a avançar porque a sua obra entre eles ainda não estava concluída. Todo milagre tinha a intenção de aumentar a fé deles para o próximo passo de obediência.
A vida cristã segue o mesmo padrão. O nosso testemunho nunca deveria se tornar um museu que exibe apenas o que Deus fez anos atrás. Deveria se tornar um testemunho vivo que continuamente proclama o que ele ainda está fazendo hoje. O Deus que nos perdoou ainda está nos transformando. O Deus que nos encheu com o seu Espírito ainda está nos santificando. O Deus que abriu portas no passado ainda está direcionando os nossos passos hoje. Servimos a um Salvador vivo que continua agindo entre o seu povo, e porque ele nunca muda, o seu poder não diminuiu. Hebreus 13:8 nos lembra: "Jesus Cristo é o mesmo ontem, hoje e eternamente." As nossas circunstâncias podem mudar, mas a sua fidelidade, nunca. Também vale a pena observar que Josué disse: "o Senhor fará maravilhas entre vocês". O milagre não foi prometido a um único indivíduo; foi prometido a toda a nação. Deus estava se preparando para agir no meio do seu povo da aliança. Isso destaca um princípio bíblico importante que às vezes negligenciamos. Embora Deus certamente atue em vidas individuais, ele também se agrada em agir coletivamente entre a sua Igreja. Ao longo do livro de Atos, os maiores derramamentos do Espírito Santo ocorreram quando os crentes se reuniam em unidade. O avivamento sempre foi mais do que uma experiência pessoal; é uma visitação corporativa da presença de Deus entre o seu povo.
É por isso que a unidade e a consagração muitas vezes andam juntas. Uma igreja dividida não pode experimentar plenamente o que uma igreja unida pode. O orgulho, o rancor, o ciúme, a amargura e o
conflito não resolvido entristecem o Espírito Santo e impedem a comunhão que Deus deseja construir entre o seu povo. Antes de Pentecostes, os discípulos estavam "unânimes, no mesmo lugar" (Atos 2:1). A unidade deles não criou o derramamento, mas os posicionou para recebê-lo juntos. Da mesma forma, Josué chamou toda uma nação a se consagrar porque Deus pretendia realizar um milagre que toda família, toda tribo e toda geração se lembrariam.
Talvez uma das maiores lições de Josué 3 seja que as maravilhas de Deus muitas vezes começam antes que possamos vê-las. Enquanto Israel se consagrava, o Rio Jordão ainda parecia exatamente o mesmo. As águas continuavam a transbordar suas margens. Não havia evidência visível de que um milagre estava prestes a acontecer. De uma perspectiva humana, nada havia mudado. No entanto, enquanto o povo preparava o seu coração, Deus já estava preparando o milagre. Isso nos ensina que a obra de Deus muitas vezes começa em lugares que os nossos olhos ainda não conseguem perceber.
O céu nunca está ocioso, mesmo quando a terra parece imutável.
Quantas vezes já oramos por respostas sem ver nenhuma evidência imediata de que Deus estava agindo? Quantas vezes já nos perguntamos se as nossas orações, jejuns e fidelidade estavam realizando alguma coisa? Josué nos lembra que o silêncio de Deus nunca deveria ser confundido com a sua ausência. O Jordão não começou a se dividir até que os sacerdotes avançassem em obediência. Às vezes, Deus está trabalhando nos bastidores, organizando circunstâncias, preparando corações, abrindo portas e realizando os seus propósitos muito antes de reconhecermos o que ele está fazendo. A fé confia nas promessas de Deus mesmo quando os nossos olhos ainda não viram o seu cumprimento.
Essa verdade alcança o seu ápice quando os sacerdotes que carregavam a Arca da Aliança entraram no Jordão transbordante. Deus não deteve o rio enquanto eles permaneciam em segurança na margem. As águas só se dividiram depois que eles obedeceram à sua ordem e colocaram os pés no que parecia ser uma situação impossível. A fé muitas vezes é demonstrada não ao esperar até que tudo faça sentido, mas ao obedecer à Palavra de Deus antes de vermos o resultado. O milagre não removeu a necessidade da fé; em vez disso, a fé se tornou a porta pela qual o milagre foi experimentado.
O mesmo convite permanece diante da Igreja hoje. Deus continua chamando o seu povo a vidas de consagração, não porque ele se agrada em exigir sacrifício, mas porque deseja revelar a sua glória por meio de vasos rendidos. Talvez nem todos nós estejamos diante de um rio inundado, mas cada um de nós vai encontrar momentos em que as promessas de Deus parecem maiores do que as nossas circunstâncias. Nesses momentos, a pergunta não é se Deus é capaz. As Escrituras já resolveram essa questão. A verdadeira pergunta é se estamos dispostos a confiar nele o suficiente para avançar em obediência, crendo que o Deus que sempre foi fiel fará novamente maravilhas entre o seu povo.
A mensagem de Josué é, portanto, tão relevante hoje quanto era milhares de anos atrás. Toda geração precisa decidir se vai se contentar em se lembrar dos milagres de ontem ou se preparar para os de amanhã. Deus ainda procura pessoas cujo coração seja totalmente dedicado a ele. Ele ainda honra a obediência humilde. Ele ainda enche vasos rendidos. Ele ainda abre rios que nenhuma força humana pode atravessar. E ele ainda se agrada em fazer o que somente ele pode fazer, para que todo milagre finalmente
conduza as pessoas de volta à sua grandeza.
A promessa permanece inalterada: quando o povo de Deus se consagra e caminha fielmente em obediência, pode confiantemente deixar o impossível em suas mãos. O amanhã pertence ao Senhor, e o Deus que chamou Israel a atravessar o Jordão ainda é o Deus que faz maravilhas entre o seu povo.
› CONCLUSÃO Preparando-se para o Amanhã de Deus
9 / 18 Conclusão
A história de Josué 3 é muito mais do que o relato de um rio que parou de fluir. É a história de um povo que aprendeu que os maiores milagres de Deus muitas vezes são precedidos por temporadas de preparação. Israel estava à beira de uma promessa que havia sido falada gerações antes. Abraão tinha ouvido falar dela. Isaque acreditou nela. Jacó sonhou com ela. Moisés conduziu o povo em direção a ela. No entanto, foi a geração de Josué que finalmente entrou nela. A herança deles não foi determinada apenas pela promessa de Deus, mas também pela sua disposição de confiar nele o suficiente para obedecer. Antes de as águas se abrirem, antes de os sacerdotes entrarem no rio, antes de um único pé entrar na Terra Prometida, Josué deu uma ordem simples que mudou tudo: "Santifiquem-se."
Ao estudarmos esta passagem, descobrimos que a consagração não se trata de conquistar o favor de Deus, mas de responder à sua graça. Não é uma vida definida por regras, mas um relacionamento definido pela entrega. É muito mais do que dizer "não" ao pecado; é dizer "sim" ao senhorio de Jesus Cristo. Todo ato de consagração declara que confiamos mais na sabedoria de Deus do que na nossa própria, mais em suas promessas do que em nossas circunstâncias, e mais em sua presença do que nos prazeres temporários que este mundo oferece. O crente que consagra sua vida não está tentando convencer Deus a agir. Em vez disso, ele está se colocando em uma posição em que nada impede a obra de Deus nele e por meio dele.
Josué também nos lembra que toda geração precisa escolher se vai simplesmente se lembrar dos milagres de ontem ou se preparar para os de amanhã. Teria sido fácil para Israel passar o resto de suas vidas falando sobre o Mar Vermelho. Em vez disso, Deus os chamou a experimentar outro milagre porque o seu propósito para eles ainda não havia sido cumprido. A mesma tentação existe para a Igreja hoje. Agradecemos a Deus pelos avivamentos do passado, pelos testemunhos de cura, pelas histórias de salvação, e pela fidelidade que ele demonstrou ao longo da história. No entanto, o nosso Deus não é apenas o Deus de ontem. Ele ainda está escrevendo testemunhos. Ele ainda está enchendo crentes com o Espírito Santo. Ele ainda está restaurando lares quebrados. Ele ainda está chamando pródigos de volta para casa. Ele ainda está abrindo portas que ninguém mais pode abrir. O Deus de Josué ainda está fazendo maravilhas entre o seu povo.
Talvez a maior lição deste capítulo seja que o milagre começou muito antes de o Rio Jordão parar de fluir. Começou quando o povo de Deus se humilhou em obediência. Enquanto o rio parecia inalterado, Deus já estava preparando o que nenhum olho humano ainda podia ver. Essa verdade deveria encorajar todo crente que está fielmente orando, servindo, jejuando, dando e caminhando com Deus, mesmo quando nada parece estar mudando. O céu nunca está inativo. O nosso Pai está sempre trabalhando nos bastidores, organizando circunstâncias, preparando corações, e realizando os seus propósitos de acordo com o seu tempo perfeito. O que nos parece atraso é, muitas vezes, a preparação de Deus.
Como seguidores de Jesus Cristo, estamos vivendo à beira de promessas maiores do que tudo o que Israel experimentou no Jordão. Fomos chamados a proclamar o Evangelho a toda nação, fazer discípulos, edificar a sua Igreja e nos preparar para o retorno glorioso do nosso Senhor. Essas tarefas não podem ser realizadas apenas por talento, personalidade, educação ou capacidade humana. Elas requerem a capacitação contínua do Espírito Santo. E, embora o poder de Deus nunca possa ser conquistado, as Escrituras repetidamente ensinam que ele se agrada em usar corações humildes, rendidos e totalmente disponíveis a ele.
10 / 18 Conclusão
Que as palavras de Josué se tornem a nossa própria oração: "Senhor, santifica-nos." Remove tudo o que compete pelo teu lugar em nossos corações. Ensina-nos a amar a santidade, não como um fardo, mas como o privilégio alegre de pertencer completamente a ti. Ajuda-nos a valorizar a tua presença mais do que a aprovação do mundo, a tua verdade mais do que as nossas próprias opiniões, e o teu Reino mais do que as nossas próprias ambições. Prepara-nos para sermos vasos limpos, úteis e prontos para toda boa obra. Então, com corações cheios de fé, que avancemos em obediência, crendo que o Deus que dividiu o Rio Jordão não mudou. Suas promessas permanecem verdadeiras. Seu poder permanece ilimitado. Sua graça permanece suficiente. E o seu convite ainda ecoa através de cada geração:
Josué ordenou ao povo: “Santifiquem-se, pois amanhã o Senhor fará maravilhas entre vocês”.
JOSUÉ 3:5 (NVI)
Que sejamos a geração que responde a esse chamado.
› REFLITA Perguntas de Reflexão
Reflita
11 / 18 > Pergunta 1
Josué disse a Israel para "se santificar" antes mesmo de verem o milagre. Por que você acha que Deus muitas vezes nos pede para obedecer antes de nos mostrar o que ele vai fazer? Você consegue pensar em um momento em que Deus pediu que você confiasse nele sem saber o resultado?
12 / 18 > Pergunta 2
Aprendemos que a consagração não é simplesmente dizer "não" ao pecado, mas dizer "sim" a um relacionamento mais profundo com Jesus. Olhando para a sua estação atual de vida, qual é uma área em que Deus pode estar te convidando a se aproximar mais dele, em vez de simplesmente evitar algo errado?
Reflita
13 / 18 > Pergunta 3
Os israelitas já haviam experimentado o Mar Vermelho, mas Deus queria que eles confiassem nele novamente no Jordão. Por que você acha que experiências passadas com Deus não podem substituir um relacionamento presente com ele? Como você está intencionalmente construindo a sua caminhada com Deus hoje, em vez de viver apenas do testemunho de ontem?
14 / 18 > Pergunta 4
As fronteiras de Deus são expressões do seu amor, não limitações à nossa liberdade. Já houve algum mandamento, convicção ou temporada de espera que você não entendeu no início, mas depois reconheceu como a proteção de Deus? O que essa experiência te ensinou sobre confiar na sabedoria dele?
Reflita
15 / 18 > Pergunta 5
O irmão Fairbanks ilustrou que existem duas linhas: a linha que conduz à carne e a linha que conduz ao Espírito. Em qual direção os seus hábitos diários estão te conduzindo? Se alguém observasse a sua agenda, o seu entretenimento, as suas conversas e as suas prioridades nesta semana, essa pessoa concluiria que você está intencionalmente buscando Jesus? Por que sim ou por que não?
16 / 18 > Pergunta 6
O Rio Jordão não parou de fluir até que os sacerdotes entrassem nele. Qual é o "Jordão" diante de você hoje? Existe uma área em que Deus está te pedindo para dar um passo de fé antes de vê-lo agir? O que está te impedindo de dar esse passo?
Reflita
17 / 18 > Pergunta 7
A promessa de Josué foi: "Amanhã o Senhor fará maravilhas entre vocês." Se Deus estivesse se preparando para fazer algo extraordinário em sua vida, o que você gostaria que ele encontrasse ao olhar para o seu coração hoje? Que mudanças práticas você pode começar a fazer nesta semana para se tornar mais disponível para o propósito dele?
› DESAFIO Desafio Pessoal
18 / 18 Desafio
1Nesta semana, separe uma área da sua vida para consagração intencional. Pode ser jejuar uma refeição, limitar as redes sociais, separar um tempo extra para oração, reconciliar um relacionamento quebrado, ou remover uma distração que compete pela sua atenção. Na discussão da próxima semana, esteja preparado para compartilhar, não qual milagre você viu, mas o que Deus começou a fazer em seu coração por meio da sua obediência.
> Nesta Semana Eu Vou
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